Para quem gosta de filmes como Garota Exemplar, A Garota do Trem pode ser uma boa opção para assistir no cinema.
Rachel (Emily Blunt) é uma alcoólatra desempregada que viaja de trem todas as manhãs, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia, após testemunhar uma cena intrigante, descobre que a mulher a qual sempre admira pela janela está desaparecida. Inquieta, Rachel passa a investigar o ocorrido se vê completamente envolvida no mistério.
O filme, baseado no obra literária de Paula Hawkins, certamente não traz o mesmo refinamento e elemento surpresa de A Garota Exemplar, todavia, faz um bom trabalho em envolver o espectador no mistério do desaparecimento de uma mulher que aparentemente tem a vida perfeita.
A história é contada pela perspectiva de três mulheres, sendo uma a garota no trem, e as outras duas, a primeira vista, mulheres de vida perfeita que são observadas pela narradora inicial. Diferente de Garota Exemplar, a narradora principal, Rachel, não atrai qualquer simpatia do público, traz em si todos os defeitos e falta de carisma para que o espectador se incomode com ela e suas atitudes invasivas, e é nisso que ela se torna mais interessante, pois é uma personagem cheia de defeitos e muito real, crédito para Emily Blunt que representou muito bem.
O filme peca um pouco na apresentação da história das três mulheres, cortando a narrativa em momentos importantes. bem como aproveitou pouco o personagem de Luke Evans, que praticamente serviu apenas para ser o par perfeito da bela loira, alvo de uma admiração obcecada de Rachel , realmente um desperdício.
É interessante ver que a temática feminina do filme está muito presente e serve de pano de fundo para discussão sobre a maternidade, papel de esposa, ex-esposa e amante, bem como essas mulheres lidam com as exigências sobre seus papéis na sociedade e seus corpos.
Realmente o filme é um thriller interessante, com as reviravoltas que o público adora, embora a certo ponto antes do final já é possível deduzir quem seja o responsável pelo desaparecimento da jovem, bem como o motivo. A sacada se encontra na condição de alcoólatra obcecada de Rachel, que se torna uma narradora não confiável e, consequentemente se confunde, levando o público junto.
O filme não chega a ser uma obra prima, mas vale a pena conferir nos cinemas.