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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

The Witcher não é Game of Thrones, ainda bem

 


The Witcher na Netflix não é Game of Thrones, e isso é ótimo.


The Witcher não carrega a mesma carga de drama político de GoT, a série está mais focada na história dos três personagens principais: Ciri, Yennefer e Geralt. O  foco dessa jornada está em se aceitarem em um mundo regido pela magia e monstros.

De um lado temos Geralt, The Witcher, um homem na margem da sociedade por sua condição. Esse núcleo em particular pode remeter a uma série procedural, do tipo cada episódio tem um monstro, mas ainda assim ao final as coisas têm algum propósito.

Do outro temos Yennefer, uma mulher também na margem da sociedade que descobre no Poder um sentido para sua vida. Sua jornada traz uma carga dramática intensa e rica para a história. Por fim, temos Ciri, uma princesa em busca de Geralt, cuja origem resume precisamente todo a ideia de destino no universo. No meio disso tudo temos o Continente rico em criaturas, reinos e feiticeiros.

O estilo narrativo por vezes cai no expositivo demais, porém para quem não está familiarizado com o universo acaba sendo uma medida necessária. O CGI às vezes peca bastante, mas é compensado pelas cenas de lutas e de guerra.

A série também não perde tempo e já começa quente com cenas de guerra, tensão, lutas e magia. As cenas com a rainha Calanthe conseguem traduzir e justificar todo o investimento financeiro da plataforma.

Análise de personagem | Rory Gilmore

 Gilmore Girls: Ranking Rory's Boyfriends | Time


Para essa análise utilizei como base a Teoria dos Temperamentos (colérico, sanguíneo, fleumático e melancólico).


Minha linha de raciocínio levou em consideração sua qualidade fria (oposta a Lorelai), com a capacidade de contrair e reunir. O componente úmido por sua vez me leva a considerar a postura de Rory perante seus relacionamentos e como ela consegue aderir a personalidade das pessoas ao seu redor. 

Quando está com Lorelai se deixa levar pelas invenções da mãe, quando se envolveu com Jess adquiriu um perfil mais contestador e rebelde, quando se relacionou com Logan adquiriu todo o estilo do par, com uma leve arrogância e postura mais mimada, e não teve problemas ao se adaptar ao estilo dos avós no período em que morou com eles.

qualidade úmida também aparece na interação com o pai. Embora Christopher não tenha sido presente, ela não parece se ressentir muito com isso e sempre está disposta a manter o relacionamento com ele. O fleumático tende a deixar o sentimento fluir como  rio.

Fleumáticos, quando crianças, têm a tendência a serem organizados e calmos. Isso pode ser um problema porque os adultos ao redor tendem a pensar que nada de errado pode lhes acontecer e já pressupõem maturidade, não se ocupando tanto em ajudar o fleumático a ter mais estrutura, que lhe é necessário por conta da característica úmida. Fleumáticos precisam de uma forma para se adequarem. Isso foi o que senti da Rory, principalmente sendo filha de uma possível sanguínea, ela teve dificuldade de encontrar uma estrutura mais rígida para formar sua personalidade e isso trouxe as consequências que observamos ao longo da vida adulta da jovem.

Rory escolheu uma faculdade de jornalismo e sonhava ser a Christiane Amanpour, entretanto ao conseguir um estágio com o pai de Logan, a jovem sente dificuldade em ser ativa e intrépida (característica importante em especial para jornalistas de campo, alguém se lembra que a Glória Maria furou a segurança dos jogos olímpicos para conseguir um furo?). 

sr. Huntzberger nota o fato e diz à jovem, nós como telespectadores, que gostamos de Rory e crescemos com a ideia de que todo mundo pode realizar seus sonhos, achamos a fala um absurdo e o cara só sai como malvado. Mas observando agora, ele até que tinha um ponto de razão.

É claro que o temperamento, embora não possa ser mudado, pode ser moldado. Mas isso só ocorre quando há consciência da realidade, e no caso de Rory a torcida para que ela realizasse seus sonhos era muito maior do que o molde que poderia beneficiá-la.

Por fim a jovem decide fazer o que faz de melhor, escrever. Escrever no seu tempo, em silêncio, de forma a receber as informações do mundo filtrá-las e devolver em forma de uma biografia.
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MARSILI, Dr. Ítalo. Os 4 Temperamentos. Kirion.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Gossip Girl na HBOMax | Reboot ou continuação?


Em 2007 a CW nos apresentou a adaptação de uma série de livros que explorava o mágico mundo das socialites de Nova Iorque. Com um ritmo animado, músicas da moda e um guarda-roupas impecável, Gossip Girl caiu rapidamente no gosto popular e se tornou uma série icônica. A mistura de histórias teen com o mundo adulto no estilo Ligações Perigosas narrada por uma personagem quase onisciente fez história e deixou a grade após perder a popularidade ao longo de seis temporadas e atores que já não queriam mais participar. 

Tínhamos a bela, vivaz e encantadora (por vezes até sem graça de tão positiva) Serena van der Woodsen interpretada por Blake Lively, a queridinha dos designers. A rainha abelha Blair Waldorf, cujo nome transborda realeza, e brilhantemente interpretada por Leighton Meester. A personagem tinha camadas, vivia criando planos mirabolantes (que sempre se voltavam contra ela) e viveu um romance bem conturbado com um dos personagens de maior arco de desenvolvimento, Chuck Bass, interpretado por Ed Westwick. Ao lado deles tivemos a beleza de Chase Crawford na pele do sem graça Nate e por fim, Pen Badgley (You) como o outsider, o forasteiro do Brooklin que se vê no meio de todas as confusões. Em tese, ele é o nosso representante no meio da elite de Manhattan. 


O que fez sucesso na época foi uma mistura de histórias sedutoras, personagens interessantes (e nada corretos), carisma dos atores, o fantástico e inacessível mundo dos milionários e um mistério, quem era a fofoqueira na voz de Kristen Bell? Ao final descobrimos quem foi e porquê fez. Não fez sentido nenhum, mas... a gente finge que acredita.

Eis que a HBO decide lançar uma plataforma própria de streaming e decide continuar/rebootar a série. Os personagens são novos, mas a cara é outra e o clima é bem diferente. Para começar, não há mistério de quem é a nova Gossip Girl. SPOILER. São alguns professores da escola de elite que os adolescentes frequentam e que querem meter medo nos alunos que não se importam com as aulas e vivem aterrorizando o corpo docente. Olha, nem precisava ser em Nova Iorque, aqui no Brasil isso acontece e nem precisa ser em escola de elite.

A suposta continuação pode ser percebida pela voz da narradora, trouxeram a incomparável Kristen Bell, e pelas breves e forçadas menções aos personagens originais. Só. Tudo é bem diferente. O ritmo é diferente, o show é mais escuro, não parece focar na moda ou estilo dos personagens a não ser quando traz algum momento influencer (resultado da inegável influência redes sociais), não sabe se apela para adultos com diversas cenas de sexo aleatórias ou se quer falar com adolescentes que só usam Instagram!? Achava que os jovens estavam no Tik Tok ou Twitter. 

De qualquer forma, o show falha em não ter um mistério para conduzir a narrativa. Além disso, o reboot parece querer apostar no relacionamento de duas protagonistas que são irmãs por parte de mãe, mas não desenvolve isso completamente antes de colocar os obstáculos. Não sabemos o porquê elas se importam ou deveriam se importar uma com a outra a não ser por uma série de conversas que têm como único propósito ter um diálogo expositivo.

A série original estabelece que Serena e Blair eram melhores amigas antes da primeira sair da cidade de repente, sem avisar quase ninguém. O que nos segura é tentar saber o porquê dela ter ido embora tão de repente assim, levando Blair a se sentir traída e abandonada em um momento de fortes mudanças. Depois de estabelecido o motivo pelo qual Serena se afastou, temos ainda toda a reação da atual abelha rainha ao ver seu reino ameaçado pela volta da brilhante Serena. Uma amizade sempre no limite da rivalidade. Isso carregou o programa por muitos episódios. 

Depois temos Dan, o cara do Brooklin que não fazia parte daquele mundo, mas que vivia se julgando superior a todos. Mas até ele tinha uma história, era secretamente apaixonado pela Golden Girl Serena. Os dois formavam o par improvável e tiveram que lidar com as diferenças de criação e nível social. Isso sem falar na complicada relação entre os pais deles.

No reboot temos essas duas irmãs que têm em comum uma mãe que faleceu, pais que se odeiam e... É isso. Você sabe que elas conversavam pelas redes sociais, esconderam esse relacionamento e... Nada. O arco se resolveu em dois segundos. Depois temos um exército de personagens que flutuam entre tentarem ser a Blair Waldorf e algum personagem da série Elite. Absolutamente genéricos.

No quesito ambientação, temos Nova Iorque, escola e nada de Glamour. A graça de Gossip Girl é termos acesso a um mundo inatingível que alimenta nosso imaginário. Uma espécie de corte de Versalhes. Aqui não temos a cultura dos ricaços, com brunches chiques e eventos para comemorar eventos. Cada jantar um look.

Infelizmente esse novo (ou antigo Gossip Girl que não envelheceu bem) não conseguiu acertar o tom, nem o público. Não consegue ser divertido e cheio de tiradas cômicas com claras inspirações no cinema e literatura. No primeiro, os sonhos de Blair eram influenciados por filmes como Bonequinha de Luxo e My Fair Lady, e tinham como propósito estabelecer toda a trama do episódio e ilustrar todo o seu drama. Por mais que tivesse momentos extremamente tensos e dramáticos, sempre acabava de forma mais leve.

Ainda com quatro episódios não é possível determinar se a série continuará nesse ritmo ou se ainda dá para salvar alguma coisa. Talvez, a ideia de um reboot de uma coisa que funcionou muito bem nos anos 2000 não tenha sido uma excelente ideia. A série original funcionou em uma época em que não tínhamos acesso à vida luxuosa de ricos (que hoje temos no Instagram), blogs ainda eram novidade e ainda existia a influência das socialites que eram famosas por serem belas e ricas. O mundo mudou, os programas mudaram também. Blogs não são novidades e com o acesso à informação democratizado, o mistério de Gossip Girl não faz mais tanto sentido.

De qualquer forma, o que mais faz falta são as camadas nos personagens, um motivo para torcer por eles e pelas amizades deles. Tudo parece estar muito superficial. Ainda dá tempo de salvar, a série precisa de alma e, quem sabe, um pouco de leveza. Já temos Elite, precisamos de algo diferente. 



terça-feira, 27 de julho de 2021

DICA DE SÉRIE IMPERDÍVEL | PENNY DREADFUL

 





Penny Dreadful é uma série de terror, mistério e fantasia exibida nos Estados Unidos pelo canal Showtime . Foi criada por John Logan e produzida por Logan e Sam Mendes. Ela conta com personagens famosos literários de terror como o Dr. Victor Frankenstein, Dorian Gray, Lobisomem e Drácula. O título se refere aos Penny Dreadfuls, publicações de ficção e terror que eram vendidas na Inglaterra do século 19 por apenas um centavo (penny). 

Tem como pontapé inicial a busca de Sir Malcolm Murray (Timothy Dalton) , um explorador Inglês,  para encontrar sua filha, Mina Murray, que foi sequestrada por um ser sobrenatural. Para isso conta com a ajuda de Eva Green como Vanessa Ives, uma médium,  Ethan Chandler (Josh Hartnett ), um habilidoso artista circense e pistoleiro estadunidense e  Dr. Victor Frankenstein (Harry Treadaway), jovem médico. Ao longo de sua busca, Sir Malcolm e seus companheiros se deparam com diversos seres fantásticos do mundo do terror clássico.

A história é bem adulta e tem um ar bem pesado, escuro e por vezes erótico. Algumas cenas de horror são bem gráficas e às vezes gore. É bem interessante como os personagens famosos de contos de terror são apresentados com naturalidade dentro dessa Inglaterra Vitoriana. Senti dificuldade de ficar presa aos episódios por muito tempo, cansei um pouco da aura sombria, portanto não sei se conseguiria fazer uma maratona dos oito primeiros episódios, mas com pausas de alguns dias ou dois episódios no dia, consegui assistir a primeira temporada inteira sem grandes problemas.

A série está disponível em parceria com a Amazon Prime Video.

Nota: 



Imagem: Showtime

Porque todo mundo deveria assistir How I Met Your Mother pelo menos uma vez na vida

 




HIMYM é muito mais que um sitcom de comédia, aliás, as partes dramáticas do show conseguiram um efeito muito mais tocante do que risadas. Embora HIMYM se apresente como a narrativa da busca de Ted Mosby pelo amor de sua vida, é uma série que que trata de momentos da vida, e quem viu o último episódio sabe muito bem do que estou falando.

Quem disse que um grande amor deve durar para sempre? Quem disse que seu grande amor deve ser sua alma gêmea? Quem disse que a jornada deve ser fácil e feliz a todos os momentos? O que mede o amor, a longevidade ou a intensidade?

O que HIMYM mostrou ao longo da série é que nem sempre as coisas saem como esperamos, mas será que isso faz com que as coisas que aconteceram sejam menos especiais? A resposta é não, o inesperado também é bom e drama faz parte da vida. Às vezes o inesperado é mais especial que o esperado, mesmo que dure por um breve momento.

HIMYM te faz rir (muito) e pode te fazer chorar (muito) também. Aliás, o episódio especial da "mãe"  na última temporada e Time Travelers foram muito mais dramáticos que se podia esperar em uma série de comédia (que na verdade se aproxima muito mais da vida). HIMYM te faz pensar na vida, nos relacionamentos que deram certo e que não deram certo, e em como é fácil perder contato com pessoas que em algum momento da sua vida foram muito importantes. 

Todo mundo deveria assistir HIMYM uma vez na vida, não apenas porque é uma boa série, mas porque te faz pensar, te faz rir, te faz chorar, se identificar, e acreditar nas suas escolhas. Te traz esperanças. E mais, podemos aprender muito com o Ted do futuro.

Às vezes as coisas têm que dar errado para que se possa abrir espaço para coisas novas, e às vezes, só porque você conhece o final. não quer dizer que não dá para curtir a jornada.

Atualmente disponível na Prime Video.

Undone | Uma bela animação na Prime Video

 


Ao navegar pelas buscas do streaming da Amazon você encontra uma animação com oito episódios bem curtos que irão fazer você questionar a realidade.

Criada por  Raphael Bob-Waksberg e Kate Purdy, com Rosa Salazar (Alita e Maze Runner) e Bob Odenkirk (Breaking Bad e Better Call Saul) no elenco, Undone conta a história de Alma, uma jovem insatisfeita e espontânea que sofre um acidente de carro e passa a ter uma experiência temporal que pode mudar o rumo de sua vida e das pessoas a sua volta.

A série busca estudar os limites entre o mental, o religioso e a ciência, sem nunca dar uma resposta definitiva, deixando que o telespectador considere os pontos relevantes para si. No meio de tudo isso ainda temos a jornada da jovem para lidar com uma crise existencial e um relacionamento tempestuoso com a irmã Becca Winograd-Diaz (Angelique Cabral) e mãe Camila Diaz (Constance Marie).

Percebe-se que a animação foi construída em cima dos atores, dando um traço único para o desenho e tornando a obra ainda mais interessante. Fica a dica na Amazon Prime Video.



segunda-feira, 18 de março de 2019

ZIMA BLUE | LOVE, DEATH AND ROBOTS | NETFLIX



Em busca da essência. 


Um renomado artista decide revelar sua identidade e sua história antes de apresentar seu último trabalho.

Zima Blue é um dos episódios mais profundos de Love, Death and Robots. Não só o visual é único, com o estilo 2D limpo, figuras geométricas, cores vibrantes e um azul profundo, como a mensagem encaixa perfeitamente no tema proposto e nos leva a pensar sobre nossas próprias vidas.

Um misto de busca pela consciência, complexidade, para depois ver a beleza da simplicidade e talvez até esbarra no conceito de pulsão de morte de Freud. Querer se reduzir a um estado de nada.

O azul pode representar a sensação, a agonia, melancolia, profundidade, sabedoria, calmaria. Existem diversos tons de azul que conversam com nossos sentimentos. Na antiguidade poderia estar relacionado a morte, funeral, em certa época esteve relacionado com o amor romântico. Não há como não ver a riqueza da história e a riqueza da narrativa.

Zima Blue é um curta adaptado de Zima Blue and Other Stories primeira coleção de obras de Alastair Reynolds. Foi publicado em setembro de 2006 pela Night Shade Books. Inclui dez histórias.




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

The Walking Dead - Quando a paixão acaba...




Desde a estréia da primeira temporada sou fã assídua de uma das séries mais assistidas no mundo. Lembro-me bem de Rick Grimmes andando a cavalo na cidade infestada de zumbis e dando de cara com um Glenn de boné, muito jovial e não tão maduro quanto o Glenn que morreu pelas mãos de Negan. Tínhamos Andrea, TDog, Dale, Daryl, Carol, Carl, Lori, Shane e muitos outros esquecidos e há muito devorados ou desaparecidos e esquecidos (família Morales, alguém?).

Lembrando dos primeiros episódios, podemos perceber a diferença gritante entre a temporada atual (sétima) e a primeira. Enquanto nesta encontramos pessoas que ainda estão tentando lidar com o apocalypse zumbi e buscam formas de sobreviver até que uma cura seja encontrada ou que alguém de algum governo lide com a situação, no momento atual da trama podemos ver um Game of Thrones em que os zumbis são apenas empecilhos no caminho. 

Outra diferença está no sentido de novidade e ritmo da trama. Enquanto a primeira temporada nos trouxe apenas 6 episódios bombásticos em razão de sua novidade e nos apresentou zumbis como uma grande ameaça, uma vez que não havia ninguém com experiência em lidar com eles, cada episódio trazia uma descoberta e um senso de perigo que culminou em dois grandes acontecimentos que deram início ao dominó de personagens que sucumbiram aos walkers ou pessoas mau intencionadas. Já as últimas temporadas, mais longas, trouxeram episódios fillers e foram um tanto arrastadas.

Desde o início, lista de personagens protagonistas que passaram pela vida de Rick Grimmes e morreram tragicamente só cresceu até que chegamos às últimas temporadas e a série se perdeu um pouco no quesito choque. Desde a morte de Hershel pelas mãos do tirano Governador, praticamente todos os personagens principais foram mantidos até o fim da sexta temporada. 

Para equilibrar e criar um certo impacto no público, decidiram colocar personagens secundários, desenvolvê-los em um ou dois episódios e depois matá-los de forma trágica. Ocorre que isso retirou o um pouco da essência da série que é justamente mostrar que no apocalypse ninguém se salva, por mais legal que seja, e consequentemente tirou a sensação de perigo do núcleo principal.

Tendo isso em mente e seguindo a história narrada nos quadrinhos, foi no final da sexta temporada e início da sétima tivemos dois personagens importantes morrendo terrivelmente nas mãos de Negan, trazendo novamente a sensação de expectativa e agonia da morte de um personagem que a gente goste e está habituado. 

Nesse estágio, já restou claro que sobreviver zumbis já não é o maior problema, mas sim reestruturar uma sociedade a mercê de outros grupos predadores e dominadores com líderes tiranos. The Walking Dead não é mais uma série de zumbis, é uma série sobre disputa de poder.

Enfim, o bombástico início da sétima temporada prometeu um futuro diferente para a série, que vinha um tanto arrastada, seguindo os mesmos padrões lentos, salvo alguns poucos episódios de altíssima qualidade. Foi aí que me dei conta de que a fase paixão acabou, resta saber se o futuro dessa relação se resfriará ou se TWD oferecerá uma boa oportunidade para se tornar apaixonante novamente. 

O episódio de ontem, New Best Friends, chegou a dar frio na barriga, vamos esperar que a empolgação não passe.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

The Walking Dead - 1 episódio da 7ª Temporada

SPOILERRRRRRRRRRRRRRRR

The Walking Dead Season 7 Episodic Photos


Finalmente esse dia chegou. Descobrimos quem foi a vítima (ou vítimas) de Negan  e tivemos mais uma boa amostra do que esperar do que pode vir a ser uma das melhores temporadas da série.

Não só decidiram colocar Abraham como a primeira vítima (bem condizente com a fala de Negan: "está levando como campeão!", como decidiram ser fiéis aos quadrinhos com a morte de Glenn, o que ocorreu em seguida (com direito a olho saltado e tudo). Muito já se especulava sobre a vítima ser Glenn, o que era quase uma certeza. A dúvida restava em razão do crescimento do personagem de Abraham nos últimos episódios da sexta temporada (TWD adora matar os personagens assim que eles evoluem, encontram paz etc). Na dúvida...foram os dois.

Quem acompanha a série e as entrevistas coletivas com os atores, principalmente na Comic Con de San Diego, observaram que o Steven Yeun, que interpreta Glenn, parecia bem abalado.

Em que pese a base de fãs que o casal Maggie e Glenn tinham, a história do jovem já havia se esgotado há algum tempo, sendo sua morte um catalizador para a nova Maggie que já vinha surgindo no final da sexta temporada, sem falar que dará um frescor e renovação no grupo de Rick.

Quanto a Abraham, embora ele pudesse estar começando vida nova com Sasha, havia a necessidade de mostrar que até mesmo um macho alfa como ele acabaria se curvando perante Negan.

E quem achava que a destruição do ego e confiança do Rick estava fadada apenas ao último episódio da última temporada se engana, Negan não estava nem perto e fez questão de terminar o serviço neste episódio.

A breve atuação de Lauren Coha (Maggie) após a morte do marido nos mostrou uma personagem  mais forte, que viu todos seus entes queridos e familiares serem mortos (vale lembrar que a irmã, o pai e o marido foram mortos não por zumbis, mas por vilões), e que crescerá após mais esse choque. 

Quanto a atuação de Jeffrey Dean Morgan como Negan, esta não deixa nada a desejar e mostra um vilão com várias nuances, aquele vilão que amaremos odiar e que há muito não víamos na série. Ao que tudo mostra, essa temporada será um divisor de águas na história e, acredito eu, tem tudo para melhorar a série e desenvolver o mundo pós apocalíptico em que as ameaças são zumbis e lunáticos para um mundo em que novas sociedades e formas de governo surgem de acordo com a necessidade. 


Imagem: AMC

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Porque o relacionamento entre as mulheres Gilmore deve ficar na TV





Recentemente fui abençoada pela Netflix com a adição de uma de minhas séries preferidas a seu catálogo, Gilmore Girls.

A série dos anos 2000 trata da vida de Lorelai e Rory Gilmore, mãe e filha respectivamente, na pequena e fictícia cidade de Stars Hollow. Ambas são melhores amigas e a série ressalta que isso se deve ao fato de que Lorelai teve Rory aos 16 anos de idade, de outro lado, mostra ainda o relacionamento disfuncional entre Lorelai e seus pais perfeccionistas.

A série ficou muito conhecida por seus diálogos rápidos cheios de referências pop e o quão bem escrita a comédia/drama era. Teve sucesso por 7 temporadas quando foi cancelada, sendo que a Netflix prepara uma temporada especial em sua plataforma.

Agora, com essa graça da Netflix, decidi fazer uma maratona de Gilmore Girls e me deparei com ma questão que chega a incomodar um pouco, não o suficiente para estragar a série, mas algo que me faz pensar. Essa questão é justamente o relacionamento de Lorelai, Rory e Emily (mãe da primeira).


SPOILER ALERT!!!!!!

Como descobrimos ao longo da temporada, Lorelai engravidou aos 16, não quis se casar com Christopher, e, devido a pressão dos pais, decidiu fugir de casa e encontrar abrigo e emprego na Independence Inn. Lorelai decide criar Rory sozinha e, superando os obstáculos e estigmas, faz um belo trabalho ao ponto de que, ao início da série, nos deparamos com uma jovem de 16 anos que é o oposto da mãe, Rory é responsável, organizada, estudiosa (Golden Child da cidade). Embora as duas não vivam há mais de 1h de Hartford, onde os pais de Lorelai moram, ambas têm um relacionamento absolutamente distante destes, o qual só vem a se desenvolver novamente quando Lorelai precisa de dinheiro para pagar pelos estudos de Rory.

Com o tempo vemos um relacionamento desenvolver entre eles, principalmente entre Rory e os avós, que vêem na neta tudo que queriam na filha, e Lorelai sabe disso. Mas principalmente vemos que Rory entende os avós e faz questão de tentar entendê-los, enquanto Lorelai vê todas as ações de seus pais como manipulação e se rebela contra tudo que pode argumentar. E é nesse ponto que a série me incomoda em alguns aspectos. Não pela história em si, mas justamente porque mostra uma certa realidade (não que toda garota de 16 anos engravida e tem pais podres de ricos para pagar a educação do neto) de revolta e egoísmo por parte de Lorelai. Um exemplo perfeito disso é um episódio em que Rory decide se inscrever em Harvard e depois também pensa em ir para Yale, onde seu avô estudou, ao revelar isso em um dos jantares na casa dos avós (com visitas), Lorelai surta, diz que Rory foi manipulada a se inscrever em Yale (uma das melhores universidades do mundo convenientemente perto de sua casa), briga com Rory na frente de todos, levanta e sai. 

Esse é apenas um dos exemplos de como às vezes, o relacionamento de mãe e filha,  deixa de ser mãe e filha e passa para o melhores amigas de uma maneira não saudável. Lorelai esquece seu papel de mãe (que seria apoiar a filha em qualquer de suas escolhas) e pensa apenas em como seus pais fazem de tudo para te atingir. Lorelai faz com que todos na mesa se sintam mal, inclusive seu pai (com saúde delicada e egresso de sucesso de Yale) e principalmente Rory, que não havia contado antes porque sabia que a mãe iria se magoar.

Esse é apenas um exemplo das muitas situações em que o relacionamento de mãe e filha é deixado de lado seja pelo egoísmo de Lorelai, seja por alguma situações de melhores amigas, onde Rory é sempre a mais responsável. E é nesse ponto que me incomoda um pouco. Rory gosta dos avós e não vê problema algum em seguir os passos do avô indo para a mesma universidade, mas ela se reprime e se magoa com o fato porque isso magoará a mãe, que nesse ponto se esquece de ser mãe e vira a filha adolescente egoísta e rebelde dos Gilmore. 

É certo que a rebeldia de Lorelai e seu jeito mais adolescente se dá pelo fato de que ela tem uma personalidade forte e rebeladora, que se viu em necessidade de liberdade dos pais controladores, em certo momento acreditei que estes a tivessem expulsado de casa quando descobriram a gravidez. Ocorre que não é essa a história, Lorelai fugiu e desligou os pais de sua vida e consequentemente da vida de Rory. Como a série mostra, Lorelai teve sorte em encontrar a dona da pousada que lhe deu abrigo e emprego, o que possibilitou que ao início da série, a protagonista fosse a gerente do lugar, podendo dar uma boa vida para a filha. Mas e se isso não tivesse acontecido?

De qualquer forma, ao precisar de dinheiro para sua filha, Lorelai (se humilhou) pedindo dinheiro a seus pais, sob a condição de um jantar semanal. Mesmo após seus pais ajudarem nos estudos de Rory, mostrarem que se importam e tentarem, a maneira deles, ter um relacionamento com ambas, Lorelai ainda trata os pais como um pesadelo que acabará quando pagar sua dívida. Embora seus pais tenham muitos defeitos, como ela também tem, não há nada na série que justifique tamanho rancor e desejo de distanciamento de seus pais como Lorelai tem e desejava que Rory também tivesse.

Com o tempo as coisas começam a se acertar, Rory é presenteada com o ótimo relacionamento que tem com os avós e Lorelai também começa a ter algum tipo de relacionamento com sua mãe, o que nos agracia com ótimos enredos e momentos cômicos. Me peguei pensando como seria legal ter uma mãe como Lorelai, que fosse minha melhor amiga etc. Ocorre que na realidade nem todas as filhas são auto suficientes e maduras como Rory,  que muitas vezes faz o papel de adulto da casa e, principalmente, não somos todos que temos avós ricos prontos para desembolsar uma boa grana. O relacionamento entre as duas serve como ponto inicial para a comédia/drama, mas não deveria ser exemplo de como relacionamento entre mãe e filha deve ser, às vezes precisamos de alguém que nos mostre as regras do jogo, que coloque limite e nos passe suas experiências, não alguém que furta os pãezinhos do jantar e joga na bolsa (ok, isso eu aceito!). Precisamos de alguém maduro que incentive um relacionamento saudável com nossos avós e nossos objetivos e, principalmente, seja agradecido por estes pagarem os estudos de seus netos. 

A sitcom peca no aspecto de que relacionamento entre mães e filhas também é bom, uma vez que as mães da série sempre são mostradas como rígidas, controladoras, chatas e caricatas (vide a mãe da Lane, mãe da Paris, mãe da Lorelai e mãe do Richard Gilmore). É bom ser amiga, mas o papel de mãe é extremamente necessário para o desenvolvimento social dos filhos, mais do que ser amiga. Na série esse relacionamento dá certo porque Rory já é praticamente um adulto responsável, o que dá espaço para que Lorelai haja como uma criança, e é por isso que esse tipo de relacionamento deve ficar na TV. Outra coisa, se seu pais oferecem de bom grado pagar pelos estudos de seus netos, seja agradecido e não os destrate, eles têm defeitos e você também.

O relacionamento entre as mulheres Gilmore é caricato: Lorelai é a adolescente às vezes irresponsável, Rory é o adulto e Emily é a controladora. Na equação temos resultados engraçados, tocantes e às vezes irritantes, mas são escritos e previsíveis, como a vida não é. A vida é muita mais complexa que isso. 

A série e excelente, continuarei minha maratona e serei a primeira a assistir a tão aguardada oitava temporada, porém, ao contrário dos anos 2000, em que eu era apenas uma jovem adolescente, assistirei com os olhos de um jovem adulto e compreenderei que aqueles relacionamentos são bons apenas na televisão, na vida real, eles são mais complexos, e muito melhores.






sexta-feira, 24 de junho de 2016

Por que assistir How To Get Away With Murder?





How to Get Away with Murder, é uma série de televisão estadunidense transmitida pela ABC desde 25 de setembro de 2014. A série foi criada por Peter Nowalk e tem como produtora executiva Shonda Rhimes (Grey's Anatomy e Scandal).

A série segue a vida pessoal e profissional de Annalise Keating, professora de Direito Penal de uma universidade na Filadélfia. No início do semestre, a advogada seleciona um grupo dos seus melhores alunos em sua turma para trabalhar em seu escritório. São eles: Connor Walsh, Michaela Pratt, Asher Millstone, Laurel Castillo e Wes Gibbins.

A série é simplesmente fantástica. O impacto inicial se dá com um misterioso assassinato em que todos os protagonistas estão de alguma forma envolvidos, e do qual é contado de trás para frente enquanto Annalise e seus alunos lidam com o caso da semana. Ao final da primeira temporada é deixado um gancho que serve como uma das tramas para a excelente segunda temporada.

A segunda temporada de início dá a impressão de ser conduzida como a primeira, com um grande crime e depois casos da semana, chega a ser um pouco arrastada até mesmo focando demais nas desconfianças dos alunos com sua professora, até que ocorre uma grande reviravolta no meio da temporada e carrega grandes revelações do passado da advogada. Sem palavras para a qualidade da série. 

Na minha opinião a série é uma das melhores da atualidade por 9 motivos:

  • Não é muito longa, tem 15 episódios cada temporada.
  • Viola Davis arrebenta como Annalise Keating.
  • A forma como o grande crime é apresentado de trás pra frente, ou seja, do corpo até o motivo que levou a pessoa a ser morta.
  • Os casos da semana.
  • A vida pessoal de cada protagonista.
  • Não tem medo de colocar uma mulher negra em posição de poder, não tem medo de mostrar relacionamento homossexual, enfim, não tem medo.
  • Os casos da semana são muito interessantes.
  • A forma como acontece o desenrolar dos acontecimentos.
  • Reviravoltas fantásticas.

A série é transmitida no Brasil pelo canal Sony e a primeira temporada está disponível na Netflix.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Orange is The New Black - 4ª Temporada



Acabei de assistir a quarta temporada de Orange is The New Black, uma das séries queridinhas da Netflix.

No último episódio da terceira temporada vemos as garotas de Litchfield conseguirem dar uma escapadinha da prisão e se divertirem no lago ao mesmo tempo que novas internas chegam, criando a ideia de que teríamos grandes problemas de lotação para a temporada que viria a seguir.


Logo a quarta temporada já apresenta a problemática de uma penitenciária lotada, como divisão dos espaços, falta de absorvente etc. Ocorre que a forma como a terceira temporada nos deixou, passou a impressão de que isso iria causar uma grande reviravolta, o que não aconteceu.

Outro ponto a ser repensado é a importância de Piper na trama. A série insiste em colocá-la em um local de destaque sendo que sua história já se esgotou, o que é uma pena pois há muitas outras personagens interessantes a serem exploradas, além de um cenário de superlotação que não foi tão explorado assim. Por outro lado, ao aparecer uma concorrência no negócio das calcinhas, podemos ver a jornada de Piper ao lado negro e como suas decisões acabam por criar grandes consequências na prisão.

Ao contrário das outras temporadas, esta se concentrou menos nos flashbacks e mais na vida na prisão e nas novas dinâmicas no grupo de personagens já conhecidos. Acredito que a diminuição de flashbacks seja porque  o passado da maioria das personagens já foi explorado em temporadas anteriores, o que é uma pena pois a entrada de novas internas poderia dar mais espaço para novas histórias. Os poucos flashs que tempos são de personagens que ainda não foram explorados como Maria, Blanca, Lolly, Mr. Healey e Crazy Eyes.

Outro ponto bacana foi a adição de Judy (Martha Stuart?), uma celebridade do mundo da cozinha que é presa por dar cabo no fisco, o que trouxe um frescor engraçado para a série. Além disso, é muito interessante a abordagem da desumanização das detentas pelas pessoas que deveriam prezar pela ordem do local e sua segurança, ou seja, os novos guardas.

Finalmente tivemos a volta de Nicky e descobrimos o que aconteceu com Sophia, o que tem um paralelo com a própria história de Caputo, que segue seu caminho tentando fazer seu melhor para administrar a penitenciária.

No geral temos uma boa temporada, ainda que o frescor tenha passado, continua a agradar e trazer novos elementos e tocar seus espectadores com personagens humanas e cativantes. A série é bem sucedida em trazer sempre novos elementos, novas tramas e não tem medo de tocar em assuntos delicados.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Como fiz as pazes com o final de How I Met Your Mother



Agora já fazem dois anos e alguns meses que veio à tona o tão controverso final de How I Met your Mother. Como muitos, à época também entrei em estado de choque com o final e por muito tempo me senti traída pela série.

Após assistir ao final uma dúzia de vezes e ler todos os comentários possíveis na internet, cheguei a conclusão de que não poderia haver outro final caso os criadores realmente quisessem se manter fiéis à essência da história e hoje, após muito pensar, me descobri fazendo as pazes com o final e vou apresentar meus argumentos.:

O mais óbvio:

A série nunca foi sobre a Mãe, mas sobre fatos da vida e a transição da juventude para a vida adulta. Era Ted passando toda a sua experiência aos seus filhos.

O menos óbvio, mas ainda muito óbvio:

A série sempre destacou Robin como o grande amor da vida de Ted que não se concretizou, mas sempre deixou claro que ela não era a Mãe.

E é isso que precisamos aceitar. A vida é muito mais complexa e imprevisível que um roteiro de Friends. O amor de Ted por Robin não invalida o amor de Ted por Tracy, até mesmo porque o amor de Tracy por Max não invalida o amor de Tracy por Ted. Tudo se resume ao Timing.



Ao final da nona temporada, ambos tiveram que abrir mão de seus amores para seguir em frente e formalizar seus sonhos com outras pessoas e isso é muito justo! Max morreu e Robin escolheu outra pessoa e, principalmente, sua carreira, que sempre foi seu grande sonho.

No final, Tracy e Max se reencontram, assim como Ted e Robin, e nada além disso poderia ser mais fiel ao que a série prega, o timing. Ted queria uma família, Robin queria sua carreira, se ambos tivessem ficado juntos quando jovens, seria exatamente como Lilly preveu na cena da Varanda, ambos velhinhos, juntos, mas ressentidos por não terem realizado seus sonhos. 

Após pensar muito, vi que Ted evoluiu e muito! Assim como Robin. O Ted mais velho já realizou seus sonhos, agora ele só quer uma companheira, sem aquela expectativa sufocante de ela ser The ONE. O mesmo para Robin, que realizou seus sonhos e hoje, possivelmente, está preparada para ser companheira de alguém. 

A série não era sobre como Ted conheceu  sua alma gêmea Tracy, e sim uma homenagem a Robin e tudo o que ele teve que passar para digerir tudo e finalmente seguir em frente após a morte de sua companheira. Da mesma forma que tive que assistir ao final uma dúzia de vezes pra digerí-lo, Ted também o fez para poder se reencontrar com um grande amor. E não há nada errado nisso, não há nada errado tentar ser feliz. A história em si não é para seus filhos, mas para si mesmo.

How I Met Your Mother deveria ser: como explicar para seus filhos que você teve vida antes deles ou, como digerir toda a sua história e começar uma nova.

A série não traiu ninguém, aliás foi muito fiel. A série nunca foi somente comédia, havia muito drama também, aliás, alguns episódios dramáticos eram muito melhores que episódios engraçados. 

Assim como a vida é, o pai de Marshall morre, Max, o amor da vida de Tracy, morre, pessoas se casam acreditando que ficarão juntos até ficarem bem velhinhos e se divorciam em três anos, sua alma gêmea também morre e aquele namorado (a) que era seu sonho de consumo só não é a pessoa certa para você naquele momento.

O problema é que não admitimos um tapa na cara dado pela realidade na televisão, local de ficção e finais felizes.

É certo que o final foi um tanto apressado e talvez  mal construído. Mas acredito que tentaram passar justamente a ideia de que a vida passa rápido e o que fica são as lições aprendidas. E o mais importante, se Ted não tivesse conhecido e se apaixonado por Robin, ele talvez nunca teria conhecido Tracy.



Ainda há muitos os que discutem o discurso que Robin dá à Lilly na despedida do apartamento. Robin foi cretina, mas ela falou alguma mentira? Tudo o que ela falou foi real, porém dito de uma forma mais ressentida. Em busca de realizar seus sonhos, Robin abriu mão de muita coisa, em especial tempo com seus amigos, e acabou vendo que em determinado momento estes se distanciaram e quase se tornaram estranhos para ela. Quem nunca passou por isso?

Acredito que o que prejudicou o final da série tenha sido justamente suas longas temporadas. Se Robin não tivesse se apaixonado por Barney e a química do casal não fosse tão boa, e ela não tivesse dado o fora em Ted tantas vezes, talvez não tivéssemos nos sentido tão traídos assim, mas vale lembrar que era para ter sido uma série de poucas temporadas.

Além disso, o episódio falhou ao ter medo de acrescentar Tracy na história. A personagem foi desperdiçada e coadjuvante em um momento que poderia ser seu, mesmo morrendo ao final, o traria maior comprometimento com a própria premissa da série. Faltou coragem aos criadores de fazer com que o espectador participasse e gostasse de Tracy e depois a visse partir, dando razão à narrativa. 

É certo que em um final melhorado idealizado por mim, Tracy teria morrido mais tarde e a história seria uma despedida. Deletaria a parte da Robin e daria mais tempo de tela para a Mãe.

O final alternativo apaziguou alguns ânimos, mas perdeu o propósito da história, até porque reduziu a história de Ted e Tracy e ainda não deu uma razão para uma narrativa tão completa e longa. E após muito pensar, aceitei qual era a premissa da série e o que ela queria passar.



Ted e Tracy foram felizes juntos e agora é hora de Ted ser feliz de novo. E foi esse pensamento que me fez assistir o final novamente e aceitar que a vida também é assim. Também podemos ser Ted e Robin, e só porque fizemos outras escolhas não significa que nunca poderemos ser felizes juntos?


A grande lição de HIMYM para seus espectadores é justamente que podemos ter vários amores, aliás, podemos ter um grande amor que não se consolidou por falta de maturidade, por falta de timing e que talvez, possa te fazer muito feliz um dia após muitas lições aprendidas e muita maturidade adquirida. A grande lição é que podemos ser felizes com o que temos e que devemos buscar essa felicidade.

PS: algo que não aceito nem nunca aceitarei é a reação alegre dos filhos ingratos logo após Ted lembrar da mãe morta deles. Tudo bem, eles tiveram 6 anos para aceitar isso, nós tivemos 2 segundos. E outra, mesmo que tenham se passado anos, a reação foi desproporcional, eles deveriam ter pelo menos deixado passar uns segundos de nostalgia para depois tocar no nome de Robin com tanta alegria. Nisso pecaram e feio, mesmo que o final tenha sido gravado logo na segunda temporada, se iam matar a mãe, poderia ter equilibrado melhor. Por isso nunca perdoarei Penny e Luke por serem dois ingratos desnaturados.


E as perucas...não perdoo isso também.




sexta-feira, 3 de junho de 2016

Flash - 2ª Temporada





Após assistir a segunda temporada de Flash não posso deixar de comentar uma de minhas séries preferidas.

Acredito que a DC acertou na mão adicionando o multiverso e viagem no tempo a seus telespectadores. Isso expandiu as possibilidade de histórias e personagens, além de ter agradado em muito meu lado nerd que curte histórias de super heróis engraçadas e emocionantes.

A primeira temporada de Flash foi fantástica. Me prendeu do começo ao fim e o episódio final foi muito emocionante.

A segunda temporada começou bem, ficou um pouco arrastada no meio, demorou bastante para descobrirmos quem era Zoom, mas devo dizer que terminou de forma surpreendente e bastante satisfatória. A forma como estão entrelaçando os universos  e as escolhas de Barry se mostrou determinante nos últimos minutos do episódio deixando um grande Cliffhanger para a terceira temporada.

Fiquei muito satisfeita na evolução de Cisco, este era um personagem que não me agradava muito no início, porém acredito que acertaram a mão nessa segunda temporada, oferecendo um alívio cômico não tão forçado. Fiquei feliz com a introdução de um possível  sidekick, Wally West e a possibilidade de ver outros Flash.

Embora a segunda temporada tenha sido um pouco menos interessante que a primeira, devo dizer que ainda foi muito boa, ocorre que a primeira foi excelente, o que deixou minhas expectativas altíssimas para essa segunda.

Após os eventos do último episódio, devo dizer que a expectativa para a terceira temporada vai me consumir. Diferente do final da primeira, a finale da segunda temporada abriu espaço para grandes mudanças na série para todos os personagens. Acredito que trarão novidades para a próxima temporada e mal posso esperar.

Indico a série para todos que gostam do tema.

No Brasil a série é transmitida pelo canal Warner Channel às quintas-ferias, 22h30. Não percam, o último episódio desta temporada, The Race Of His Life, que irá ao ar no dia 09/06.

Nota:



terça-feira, 24 de maio de 2016

Sex and the City é motivo de tanta piada?






Sou fã assumida de Sex and the City. Assisto uma maratona cada 2 anos desde que a descobri em 2011.

Considerada uma boa série em seus mais gloriosos dias, hoje é lembrada como motivo de piada pelos personagens caricatos e vidas superficiais.

É certo que a série tem seus defeitos (falta de pluralidade étnica de atores, estilos de vida irreais, problemas superficiais). Poderia escrever páginas inteiras sobre os defeitos da série e seus personagens caricatos, a superficialidade dos problemas, a falta de desenvolvimento dos personagens e como Carrie Bradshaw é uma das piores amigas ever. Porém assumi o desafio de defendê-la pois acredito que tem seus méritos e seguem meus argumentos.

Embora hoje seja vista com desdém, foi ela quem abriu caminho para a discussão da liberalidade sexual das mulheres na televisão.

Sex and the City foi uma das primeiras séries a trazer protagonistas femininas e independentes, donas de seu corpo. Trouxe uma protagonista mais humana. Carrie também foi amante, brigou com a amiga porque esta não queria lhe emprestar dinheiro (mesmo sabendo que só não tinha dinheiro porque gastava tudo com sapatos), caiu em um relacionamento tumultuoso e é sexualmente livre.

Hoje temos um movimento de liberdade sexual da mulher muito mais amplo, mas isso se deve a luta constante das mulheres para saírem do papel de mãe, esposa e filha para simplesmente mulher, ponto.

A superficialidade nos problemas desenvolvidos pela série podem ser um problema, ou, como vejo, seu trunfo. Atualmente temos uma abundância de séries com temas tensos e dramáticos (The Walking Dead, Game of Thrones, House of Cards), resultados de uma época menos inocente pós atentados de 11 de setembro. Embora as séries sejam boas, é importante ressaltar que é necessário um escape dessa realidade em que o risco bate à porta a todo momento e lembrar que já houveram épocas que o medo de terroristas era não abrangia o subconsciente norte americano.

No mais, não se pode negar que a série traz momentos cômicos, simples e leves com situações cotidianas, sobre sexo e relacionamentos. Quem se importa se não é todo mundo que fica bebendo Cosmopolitan e comendo brunch toda hora com as amigas? É a leveza do diálogo que importa, não se o apartamento de Carrie é impossivelmente caro para seu emprego. O que tiro de mais importante na série é como ela aborda o sexo e o relacionamento, pois, embora o título seja Sex, trata-se muito mais das relações.

Cada personagem tem algo a acrescentar e mostra as escolhas que as mulheres podem ter. Não é problema algum ser bela, recatada e do lar como Charlotte deseja ser, também não é problema nenhum ser sexualmente liberal como Samantha, as duas vivem no mesmo universo e ambas estão satisfeitas com suas escolhas.

Devo dizer que o final da série não é exatamente o que ela prega desde o início (todo mundo acaba feliz para sempre como casal), mas como na vida, nem sempre a protagonista escolhe um príncipe encantado ou se resolve sozinha. Vejo muitas pessoas falando que querem ficar sozinhas, não sei se é verdade, mas não tem problema admitir que se quer um companheiro ou companheira. É o poder de escolher que seria a premissa da série. Fico feliz que nos filmes Samantha se assume pelo que é, uma mulher que se ama acima de tudo e decide ser feliz como é, sem o príncipe encantado.

Enfim, Sex and the City tem muitos defeitos, mas também tem muitos acertos. Se você não se preocupar com a vida financeira das personagens nem se atentar muito para o quão humanamente egoísta Carrie é, indico como forma de alívio para momentos tristes, principalmente se você acabou de sair de um relacionamento.


Nota: 





quinta-feira, 19 de maio de 2016

Fear the Walking Dead - s02x05 Captive

Fear the Walking Dead Season 2 Episode Photos


E eu pensando que a galera do Fear era um bando de Zé Mané...

Eles estão cada vez tão letais quanto o pessoal do Rick era em suas primeiras temporadas, porém não sei se dá para engolir a velocidade em que eles tomam consciência de que o antigo mundo mudou e no novo cão come cão.

No geral achei um episódio um pouco confuso, um pouco forçado também, porém bacana.

Um dos pontos positivos é que Alicia e Madison se mostraram personagens fortes e finalmente a jovem tomou decisões até que razoáveis para sua sobrevivência e de sua família, acredito que seja até mesmo porque foi ela mesma que criou a confusão toda e colocou a tripulação do Abigail em perigo. Foi bacana ver Alicia manipulando Jack, mostrando que embora ela estivesse em cativeiro, ela também estava ditando as regras pacientemente, ocorre que esse pacientemente chegou a ser morno, ela poderia ter sido mais badass já que a culpa de tudo foi dela.

É interessante ver que os personagens ainda estão aprendendo sobre zumbis e ver que descobriram rápido que todos os mortos "voltam". Embora a pegadinha do malandro pensada por Daniel tenha sido um pouco fraca, para nós já acostumados com walkers há anos, acabou dando certo e foi uma sacada que no momento pareceu esperto, porém poderia ter dado muito errado, isso mostra que o patriarca poderia muito bem fazer parte do atual grupo de Rick sem problemas, ambos querem resolver o problema doa a quem doer e sem muita piedade.

Foi um episódio bacana, seguindo a linha do anterior, teve suas falhas mas valeu para ver o desfecho de um problema que vinha sendo construído desde o primeiro episódio e deixou claro que essa segunda temporada serve para mostrar aos personagens que, embora estejam no mar longe de muitos walker, é com os vivos que eles devem se preocupar.


imagem: AMC

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Porque todo mundo deve assistir How I Met Your Mother pelo menos uma vez na vida



HIMYM é muito mais que um sitcom de comédia, aliás, as partes dramáticas do show conseguiram um efeito muito mais tocante do que risadas. Embora HIMYM se apresente como a narrativa da busca de Ted Mosby pelo amor de sua vida, é uma série que que trata de fatos da vida, e quem viu o último episódio sabe muito bem do que estou falando.

Quem disse que um grande amor deve durar para sempre? Quem disse que seu grande amor deve ser sua alma gêmea? Quem disse que a jornada deve ser fácil e feliz a todos os momentos? O que mede o amor, a longevidade ou a intensidade?

O que HIMYM mostrou ao longo da série é que nem sempre as coisas saem como esperamos, mas será que isso faz com que as coisas que aconteceram sejam menos especiais? A resposta é não, o inesperado também é bom e drama faz parte da vida. Às vezes o inesperado é mais especial que o esperado, mesmo que dure por um breve momento.

HIMYM te faz rir (muito) e pode te fazer chorar (muito) também. Aliás, o episódio especial da "mãe"  na última temporada e Time Travelers foram muito mais dramáticos que se podia esperar em uma série de comédia (que na verdade se aproxima muito mais da vida). HIMYM te faz pensar na vida, nos relacionamentos que deram certo e que não deram certo, e em como é fácil perder contato com pessoas que em algum momento da sua vida foram muito importantes. 

Todo mundo deveria assistir HIMYM uma vez na vida, não apenas porque é uma boa série, mas porque te faz pensar, te faz rir, te faz chorar, se identificar, e acreditar nas suas escolhas. Te traz esperanças. E mais, podemos aprender muito com o Ted do futuro.

"Here's the secret kids. None of us can vow to be perfect. In the end all we can do is promise to love each other with everything we've got. Because love's the best thing we do." (Ted Mosby)

Às vezes as coisas têm que dar errado para que se possa abrir espaço para coisas novas, e às vezes, só porque você conhece o final. não quer dizer que não dá para curtir a jornada.

The Hills | Spencer Pratt revela tudo

Imagem: COURTESY MTV O jovem do início dos anos 2000 foi agraciado pela era dos realities tipo novela. Dentre esses realities, The Hills , ...