O nome advém da área do cérebro a qual chamamos de Lobo.
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A trepanação, perfuração, do crânio humano é o procedimento cirúrgico mais antigo documentado realizado pelo homem. Crânios perfurados foram encontrados desde o Velho Mundo da Europa e Ásia até o Novo Mundo, particularmente o Peru na América do Sul, desde o Neolítico até o início da história.
Era feito para tratar epilepsia, convulsões infantis, dores de cabeça e várias doenças cerebrais que se acreditava serem causadas por demônios confinados, para os quais o buraco era um método de fuga fácil.
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Já em 1848, Phineas Gage sobreviveu a um acidente onde uma barra de ferro perfurou seu crânio e atingiu seu lobo frontal, resultando em uma mudança notável em seu comportamento. Desde então, cientistas direcionaram seus esforços para entender o papel dos lobos frontais no nosso comportamento, resultando em diversos experimentos.
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No século 20, a lobotomia tornou-se uma alternativa de tratamento para doenças mentais graves, como esquizofrenia e depressão severa. Os médicos até o usavam para tratar dores crônicas ou severas e dores nas costas.
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A técnica, idealizada pelo neurologista português Egas Moniz em 1935 e aperfeiçoada pelo americano Walter Freeman, consiste em uma uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas.
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Embora alguns pacientes até apresentassem algum tipo de melhora de um quadro, a lobotomia muitas vezes os transformava em vegetais ou simplesmente os tornava mais dóceis, passivos e fáceis de controlar. Infelizmente ela foi usada indiscriminadamente como forma de controle da população manicomial e até mesmo de crianças que não se comportavam.
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Os efeitos irreversíveis do método acabaram fazendo com que se avançasse os estudos sobre psicofármacos e psicoterapias 🙌 (ainda bem).
Hoje a lobotomia não é mais utilizada (como vemos na série), embora procedimentos cirúrgicos possam ser usados para tratamentos muito específicos e com muito cuidado.
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Fontes: The Surprising History of the Lobotomy, By Margarita Tartakovsky, M.S
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3640229/
Masiero, André Luis. (2003). A lobotomia e a leucotomia nos manicômios brasileiros. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, 10(2), 549-572. https://doi.org/10.1590/S0104-59702003000200004
