quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

IDIOCRACIA | ANÁLISE

 


Um soldado americano, Joe Bauers,  com QI mediano e uma Sex Worker participam de um experimento do governo que dá errado, e ambos acabam acordando em um futuro onde o QI da humanidade diminuiu significativamente.

CAUSAS (filme): pessoas inteligentes se reproduziram menos, enquanto as anti-intelectuais e orgulhosamente ignorantes se tornaram cada vez mais dependentes de máquinas, grandes empresas e se reproduziram muito mais. Neste processo, estupidez e preguiça de tornaram virtudes. 

O longa é uma crítica ao crescente movimento de idiotização voluntária, onde as pessoas ficam horas e horas em frente à TV consumindo produtos pop cada vez mais rasos, enquanto as grandes corporações compram "estudos" e órgãos do governo, e os governantes incapazes entram no jogo do poder por popularidade, não capacidade de governar. 


*Se atualizado, o filme poderia colocar alguma rede social no lugar da TV. 


**

Não se trata realmente de um debate sobre QI 👇 

O QI é uma medida de inteligência formada a partir de uma complexa sequência de interações entre fatores ambientais e hereditários. 

É um forte preditor de desempenho em tarefas mais complexas e consequentemente, um indicador de performance, capacidade de encontrar bons trabalhos, fazer dinheiro entre outros. Mas não é o único. 

E a discussão sobre inteligência não se encerra aqui, o psicólogo Howard Gardner entende que existem 8 tipos de inteligência: espacial, cinestésica, musical, linguística, lógica, interpessoal, intrapessoal e naturalista.

🎬🎬🎬 Mas voltando ao filme...


Através de um processo de seleção ocorrida ao longos de centenas de anos, o QI da população mundial diminui a tal ponto que Joe se torna o homem mais inteligente do mundo, enquanto o restante da população é escrava de filmes rasos e idiotizantes. Qualquer frase mais complexa, ou indício de inteligência, logo é mal vista e recebida como uma ofensa, e a reação é violenta. 

O longa tem alguns pontos interessantes, como o fato da empresa de bebidas ter investido em "estudos" mostrando que é melhor que água, comprado tudo quanto é empresa e depois até mesmo órgãos do governo (corrupção), consequentemente causando uma devastação ambiental e se tornando o próprio Estado. Qualquer semelhança... 

Não é difícil observar a quantidade de artigos "científicos" circulando por aí, menos ainda ver que boa parte deles têm financiamentos curiosos, além de VIESES os quais não são atacapados por pares. Melhor ainda, a quantidade de portais de notícias que dão luz a esses artigos, sem qualquer crítica. Honestamente, não parece algo tão longe assim.

Mas para mim, a sacada do filme está no fato de que a sociedade praticamente BUSCOU ficar assim através da preguiça e constante desmerecimento de atividades mais complexas ou decisões que não são imediatamente satisfatórias, mas que podem representar ganhos futuros. Além disso, para que pensar se alguém pensa por você? Para que fazer se a máquina faz por você? 

A sociedade enriquece, poucos desenvolvem tecnologias que facilitam a vida, logo, neste processo, a massa não precisa mais se educar, já que tem alguém ou uma máquina que faz por ela. Ou seja, é também uma crítica ao Darwinismo social. 

Some a este contexto a política como concurso de popularidade e pronto. Qualquer semelhança... Deve ser por isso que o filme quase não foi divulgado e logo esquecido. As semelhanças são vergonhosas.

O longa certamente foi pensado a partir da cultura americana (TV, Fast Food, adoração às personalidades de reality show), mas é facilmente transportado para cá.


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