segunda-feira, 7 de março de 2022

The Hills | Spencer Pratt revela tudo

Imagem: COURTESY MTV

O jovem do início dos anos 2000 foi agraciado pela era dos realities tipo novela. Dentre esses realities, The Hills, spin off de Laguna Beach, fez história ao misturar situações da vida real com narrativas montadas em uma sala de edição, proporcionando grandes dramas e uma bela fotografia. Não era possível saber o que era real ou o que era atuação, até onde ia a vida pessoal dos participantes e até onde as situações eram manipuladas. Algo que foi até mesmo reconhecido pela produção na última cena do reality, onde Brody se despede de Kristin Cavallari enquanto a produção começa a desmontar o cenário. Genial. O programa teve Lauren Conrad como protagonista e vendeu, durante muitos anos, a imagem de Spencer Pratt e Heidi Montag como os antagonistas.

Durante muitos anos os integrantes do reality disseram que muitas situações foram construídas pela produção para ver como eles iriam reagir, já havia a especulação de que o estágio de Lauren e Whitney, bem como o emprego de Heidi em uma produtora de evento, foram organizados pela produção do programa e não eram reais. Isso foi confirmado pelas próprias moças tanto em entrevistas quanto em vídeo. Lauren chegou a usar sua experiência para vender livros ficcionais, mas é difícil vê-la se abrindo sobre essa experiência. Já Whitney e seu marido, que foi produtor de The City, fez um react para cada episódio de The Hills e para o Spin Off próprio que podem ser encontrados em seu canal do youtube. Aqui é possível ver até onde era real e o que era produção. SPOILERS, era quase tudo produção.


Mas até então, não foi possível saber até que ponto exatamente as coisas foram manipuladas e principalmente, qual a participação dos protagonistas e antagonistas em boa parte do drama que dominou a partir da 3ª temporada. Eis que Spencer Pratt, um dos maiores "vilões" da televisão, decidiu soltar a real, cena a cena, para seu público na rede TikTok. Em uma das revelações, ele diz que a cena em que Heidi revela para ele que fez um teste de gravidez foi inteiramente orquestrada e encenada. Ele aproveitou a oportunidade para criticar os produtores, mais velhos, por inserir jovens na casa dos 20 anos em situações do tipo sob promessas de fama e oportunidades em atuação.

Outra revelação é que muitas cenas foram colocadas fora de ordem, diálogos foram recortados e até dublados com roteiro para criar uma linha narrativa. Há até um nome para isso, Frankenbiting. Um grande exemplo foi o rolo que ele supostamente teve com Audrina enquanto tentava namorar Heidi na segunda temporada. Segundo Spencer, muitas cenas gravadas foram arranjadas de forma a parecer que ele estava indo atrás de Audrina enquanto ficava com Heidi, sendo que a cena em que ele dá rosas para Audrina foi orquestrada e o relacionamento com Heidi só foi desenvolvido tempos depois uma vez que a própria moça não queria algo exclusivo! Sim, ele foi retratado como um player. Boy lixo. Na verdade era ela quem não queria e houve muito trabalho de edição por trás de tudo isso. Em diversas oportunidades ele é retratado como o namorado dela, mas ela nem queria um e estava saindo com outras pessoas.

Honestamente, para quem o odiou anos atrás, descobri uma pessoa completamente diferente através de entrevistas e TikTok. Spencer e Heidi hoje não lembram em nada a dupla "Speidi"  sedenta por fama nos anos 2000 e levam uma vida mais tranquila e têm um filho. Após terem gastado boa parte da grana recebida no reality, hoje Spencer tem uma loja de cristais e Heidi trabalha com aparições e está tentando ressuscitar sua carreira no mundo musical. O casal também apareceu recentemente em The Hills: New Beginnings. 

Fique por dentro das revelações aqui:

@spencerpratt Yah sure they don’t have one clip of either Brody or I talking to LC and or Heidi at her bday we were allegedly at …. Hmmmmm #thehills #realitytv #editing #fake #sctiptedtv #mtv #thespills ♬ original sound - spencerpratt


And Just Like That... O que foi isso que vi?

 
Imagem: HBO

Não pelos motivos que você pensa. 


Ou pode ser que seja. O título foi para chamar a atenção mesmo, mas já que você está aqui, seguirei com meus argumentos. Eles podem ser os mesmos que os seus.

Muito se falou nas mudanças das personagens. Miranda principalmente. Desde Sex and the City - O filme 2, a personagem está muito longe da Miranda antenada da série. Aquela que questionava padrões, que colocava limites ou que se animava com a quebra de alguns deles. Após o que parece ter sido uma lavagem cerebral, temos agora uma senhora que parece que nunca ouviu falar de movimentos sociais. Nunca. As quais as atitudes se resumem em micro agressões e vergonha alheia.

Mas não é só isso. A série já chegou no nono episódio e as únicas coisas relevantes que aconteceram foram a morte de Big e a separação de Miranda. Nem mesmo seu romance com Chez conseguiu esquentar uma vez que a construção da história não conseguiu engajar. Uma fumacinha ali, uma cena de sexo desnecessária e cringe aqui, um pedido de divórcio extremamente despido de qualquer emoção e um Steve totalmente descaracterizado. #justiçaparasteve

Aqui cabe uma consideração: muitas pessoas criticaram a participação de Steve na história e a questão da surdez, "forçando" um envelhecimento. Acontece que o ator,  David Eigenberg, realmente tem problemas de audição e isso foi utilizado na história até mesmo como uma forma de inseri-lo na série. Provavelmente isso pode ter causado algum impacto na atuação. 

Aliás, já que estamos falando do núcleo Miranda, que basicamente tomou a série toda, já fica a questão: virou um Cinthya Nixon show. Sem Kim Cattrall e Samantha a série já teria grandes problemas, imagina sem a Miranda também? Acho que a atriz aproveitou a oportunidade. 

Bom, e o final?

Não fiz questão de chegar ao fim da história. Acompanhei apenas as reações no Twitter e no Youtube e bem, não foram nada boas. Basicamente a história só andou para Miranda mesmo. Carrie parou no tempo. A constante referência À morte de Big em qualquer ocasião eliminou qualquer possibilidade de se encontrar um espírito da Carrie do passado, que utilizava os acontecimentos à seu redor para tirar uma lição ou refletir sobre a vida. No fim, sobrou apenas uma casca ambulante que só sabia repetir  algumas falas. Falando nisso, ficou nítido que a falta de narração tirou boa parte da identidade do universo. Os trocadilhos eram excelentes e ajudavam a dar contexto paras as situações, mas aqui há apenas um vazio...

A narrativa não tem liga, as piadas são sem graça e todo o desenvolvimento que essas personagens tiveram ao longo dos anos foi jogado no lixo. Carrie agindo de forma absurdamente infantil não cola mais, Charlotte agindo com suas filhas como se tivesse saído do filme Stepford Wives (Mulheres Perfeitas) em pleno século XXI chega a doer. As mudanças que foram possíveis de observar não tinham nada a ver com as moças. E não, ninguém muda tanto assim. Um exemplo gritante foi o fato de Charlotte não ter reagido como Charlotte ao descobrir que Miranda estava traindo Steve, ela poderia ter reagido com o espírito coerente da personagem, mas o tom poderia ter ser outro, para representar a maturidade.

O possível Transtorno por abuso de álcool de Miranda foi resolvido em menos de um episódio, muito em razão da adição do relacionamento com Chez. Entendo que os roteiristas queriam mostrar que isso era um sintoma da infelicidade da personagem. Mas não. Foi sem noção mesmo. Não se trata alcoolismo assim, é um problema sério. E já que falamos de Miranda, de novo uma vez que o show é dela, parece ser muito off character que ela lute tanto para conseguir uma posição e um estágio para depois abrir mão de tudo para viver uma aventura com uma pessoa que acabou de conhecer. Entendo que os roteiristas tentaram "mostrar" um amadurecimento ou uma mudança através de mais leveza. Finalmente a Miranda vai escolher a vida pessoal ao invés do trabalho. Mas não funcionou. Não esquecemos sua reação quando Carrie disse que iria para Paris e não esquecemos suas inclinações para trabalho. A história não foi bem contada. Não foi bem costurada. Não teve consistência.

Imagem: HBO


Ahhh a idade. Não cheguei na casa dos cinquenta ainda, mas tenho referências. Sim, mudanças ocorrem, menopausa chega, a lombar reclama e os exames precisam estar em dia. Acontece que a série faz parecer que personagens de 50 estão com 90. O guarda-roupa, que era um dos pontos altos da série, não parece atualizado e falta até bom gosto. Uma coisa era se vestir com roupa de festa na rua nos anos 90 e início de 2000, outra coisa é seguir usando aquele estilo hoje em que a preferência geral é por roupas mais confortáveis e não tão bufantes. E as luvas da Carrie são um grande NÃO! A máscara não é importante, mas a luva de lavar louça no meio da rua é. Acho que o momento de roupa mais marcante da temporada toda ocorreu no episódio em que ela vestiu pela segunda vez o icônico vestido Versace, usado em Paris na última temporada da série original, sentou-se na janela e comeu alguma sobra de janta sozinha.

Imagem: HBO


E Samantha... ah... Samantha. Inegavelmente a alma da série original. Não conseguiram preencher o vazio deixado pela personagem e a série ficou recheada de pequenos shades em cima da atriz Kim Cattrall. A personagem é mencionada diversas vezes nos primeiros minutos do primeiro episódio, mas sempre de um jeito amargo. Em determinado momento Carrie solta um "eu era apenas um ATM (caixa eletrônico) para ela?". Ahm, não! Nem a pau. Samantha era a menos julgadora, a mais aberta, fiel e a mais acolhedora. 

Enquanto todo mundo estava apontando o dedo para ela por suas escolhas sexuais e pelo fato de ter se aberto para a oportunidade de ter um relacionamento real com Maria -que foi super criticado pelas outras protagonistas com falas no tipo "ela só quer chamar atenção!" Ou "será que ela ficou sem homem?" . Ela estava sempre ouvindo suas amigas e oferecendo um porto seguro para elas. Ela chegou a oferecer dinheiro para a ingrata da Carrie quando esta precisou depois de ter gastado tudo com sapato e que negou, mas logo em seguida  exigiu ajuda da Charlotte. E não bastasse isso, após o final dessa temporada desastrosa de And Just Like That... os produtores e Sarah Jessica Parker fizeram questão de dizer que a atriz não é bem vinda para retornar para o papel de Samantha. MESMO A PRÓPRIA KIM CATTRALL TENDO RECUSADO A OFERTA INÚMERAS VEZES. 

Sim, esse shade me revoltou.

A HBO alega que a audiência da série foi ótima, mas até que ponto as pessoas assistiram por pura curiosidade ou por Hate Watch -série que você assiste só para se revoltar e falar mal? Não sabemos. Pelas reações nas redes e até mesmo em artigos de revistas, uma visão negativa da série é certa.

Mas e você? O que achou? 

sábado, 5 de fevereiro de 2022

RATCHED NA NETFLIX | O QUE É LOBOTOMIA?

 

Imagem Netflix

O nome advém da área do cérebro a qual chamamos de Lobo.

A trepanação, perfuração, do crânio humano é o procedimento cirúrgico mais antigo documentado realizado pelo homem.

Crânios perfurados foram encontrados desde o Velho Mundo da Europa e Ásia até o Novo Mundo, particularmente o Peru na América do Sul, desde o Neolítico até o início da história.

Era feito para tratar epilepsia, convulsões infantis, dores de cabeça e várias doenças cerebrais que se acreditava serem causadas por demônios confinados, para os quais o buraco era um método de fuga fácil.

Já em 1848, Phineas Gage sobreviveu a um acidente onde uma barra de ferro perfurou seu crânio e atingiu seu lobo frontal, resultando em uma mudança notável em seu comportamento. Desde então, cientistas direcionaram seus esforços para entender o papel dos lobos frontais no nosso comportamento, resultando em diversos experimentos.

No século 20, a lobotomia tornou-se uma alternativa de tratamento para doenças mentais graves, como esquizofrenia e depressão severa. Os médicos até o usavam para tratar dores crônicas ou severas e dores nas costas.

A técnica, idealizada pelo neurologista português Egas Moniz em 1935 e aperfeiçoada pelo americano Walter Freeman, consiste em uma uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas.

Embora alguns pacientes até apresentassem algum tipo de melhora de um quadro, a lobotomia muitas vezes os transformava em vegetais ou simplesmente os tornava mais dóceis, passivos e fáceis de controlar. Infelizmente ela foi usada indiscriminadamente como forma de controle da população manicomial e até mesmo de crianças que não se comportavam.

Os efeitos irreversíveis do método acabaram fazendo com que se avançasse os estudos sobre psicofármacos e psicoterapias 🙌 (ainda bem).

Hoje a lobotomia não é mais utilizada (como vemos na série), embora procedimentos cirúrgicos possam ser usados para tratamentos muito específicos e com muito cuidado.


Fontes: The Surprising History of the Lobotomy, By Margarita Tartakovsky, M.S


https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3640229/


Masiero, André Luis. (2003). A lobotomia e a leucotomia nos manicômios brasileiros. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, 10(2), 549-572. https://doi.org/10.1590/S0104-59702003000200004




AKIRA | SE VOCÊ GOSTA DE FICÇÃO CIENTÍFICA, O FILME É PARA VOCÊ

 


Quem assistir em 2021 pode achar que é só mais um anime. Achei muito bom, mas tive a sensação que já tinha visto antes. 

Mas a verdade é que o que vi até agora é justamente o que veio depois 🤷. Akira influenciou  fortemente a cultura pop, ajudando a dar corpo para o cyberpunk inclusive, isso sem falar em várias produções de Hollywood que têm como tema experimentos do governo, telecinésia e outros. Aliás, uma boa referência atual seria Stranger Things e o longa Poder Sem Limites. Isso sem falar na famosa moto que aparece até no filme Jogador N°1.

Mas não influenciou apenas longa metragens, ATÉ KANYE WEST usou Akira como inspiração para o clipe da música STRONGER (que adoro!).


SINOPSE

O longa começa com uma explosão que destrói a cidade de Tóquio em 1988 e depois pula para 2019, onde a cidade foi reconstruída, mas gangues de motocicletas disputam território e protestos violentos ocorrem. No meio de tudo isso, uma criança com poderes surge misteriosamente (Eleven?????) e muda a vida de um jovem chamado Tetsuo, que descobre ter poderes também. Poderes estes parecidos com os de uma figura quase divina, Akira. 


OBSERVAÇÃO 


O filme serve como bom complemento para os últimos episódios dos documentários WWII em Cores na Netflix. É inegável que há na ficção uma forte presencença dos traumas gerados pela queda das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. O ataque gerou um trauma, os experimentos realizados com seus habitantes sobreviventes (crianças inclusive) posteriormemte e os segredos mantidos pelos Estados foram outros.


OUTRO ELEMENTO IMPORTANTE 


SPOILERS ☄️ 


A destruição de Tetsuo ocorre de dentro para fora, representando a corrupção pelo poder. A coisa cresce e o engole. E nisso você pode colocar Tetsuo como um homem corrompido ou como uma sociedade embriagada pelo poder de matar, além de toda a questão de segredos do governo sobre armas de grande potencial destrutivo e experimentos moralmente questionáveis. 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

IDIOCRACIA | ANÁLISE

 


Um soldado americano, Joe Bauers,  com QI mediano e uma Sex Worker participam de um experimento do governo que dá errado, e ambos acabam acordando em um futuro onde o QI da humanidade diminuiu significativamente.

CAUSAS (filme): pessoas inteligentes se reproduziram menos, enquanto as anti-intelectuais e orgulhosamente ignorantes se tornaram cada vez mais dependentes de máquinas, grandes empresas e se reproduziram muito mais. Neste processo, estupidez e preguiça de tornaram virtudes. 

O longa é uma crítica ao crescente movimento de idiotização voluntária, onde as pessoas ficam horas e horas em frente à TV consumindo produtos pop cada vez mais rasos, enquanto as grandes corporações compram "estudos" e órgãos do governo, e os governantes incapazes entram no jogo do poder por popularidade, não capacidade de governar. 


*Se atualizado, o filme poderia colocar alguma rede social no lugar da TV. 


**

Não se trata realmente de um debate sobre QI 👇 

O QI é uma medida de inteligência formada a partir de uma complexa sequência de interações entre fatores ambientais e hereditários. 

É um forte preditor de desempenho em tarefas mais complexas e consequentemente, um indicador de performance, capacidade de encontrar bons trabalhos, fazer dinheiro entre outros. Mas não é o único. 

E a discussão sobre inteligência não se encerra aqui, o psicólogo Howard Gardner entende que existem 8 tipos de inteligência: espacial, cinestésica, musical, linguística, lógica, interpessoal, intrapessoal e naturalista.

🎬🎬🎬 Mas voltando ao filme...


Através de um processo de seleção ocorrida ao longos de centenas de anos, o QI da população mundial diminui a tal ponto que Joe se torna o homem mais inteligente do mundo, enquanto o restante da população é escrava de filmes rasos e idiotizantes. Qualquer frase mais complexa, ou indício de inteligência, logo é mal vista e recebida como uma ofensa, e a reação é violenta. 

O longa tem alguns pontos interessantes, como o fato da empresa de bebidas ter investido em "estudos" mostrando que é melhor que água, comprado tudo quanto é empresa e depois até mesmo órgãos do governo (corrupção), consequentemente causando uma devastação ambiental e se tornando o próprio Estado. Qualquer semelhança... 

Não é difícil observar a quantidade de artigos "científicos" circulando por aí, menos ainda ver que boa parte deles têm financiamentos curiosos, além de VIESES os quais não são atacapados por pares. Melhor ainda, a quantidade de portais de notícias que dão luz a esses artigos, sem qualquer crítica. Honestamente, não parece algo tão longe assim.

Mas para mim, a sacada do filme está no fato de que a sociedade praticamente BUSCOU ficar assim através da preguiça e constante desmerecimento de atividades mais complexas ou decisões que não são imediatamente satisfatórias, mas que podem representar ganhos futuros. Além disso, para que pensar se alguém pensa por você? Para que fazer se a máquina faz por você? 

A sociedade enriquece, poucos desenvolvem tecnologias que facilitam a vida, logo, neste processo, a massa não precisa mais se educar, já que tem alguém ou uma máquina que faz por ela. Ou seja, é também uma crítica ao Darwinismo social. 

Some a este contexto a política como concurso de popularidade e pronto. Qualquer semelhança... Deve ser por isso que o filme quase não foi divulgado e logo esquecido. As semelhanças são vergonhosas.

O longa certamente foi pensado a partir da cultura americana (TV, Fast Food, adoração às personalidades de reality show), mas é facilmente transportado para cá.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O MESTRE | ANÁLISE DE FILME

 


Por que pessoas se tornam membros de uma seita?

Não sei se foi esta a pergunta que Paul Thomas Anderson fez ao escrever o roteiro do longa, mas foi isso que captei.

Nele temos um protagonista (Joaquim Phoenix, que foi criado em uma seita) marcado pela guerra e pelo abandono, que na busca por pertencimento acaba encontrando seu Mestre (Philip Seymour Hoffman). 

Sem entender exatamente o que seu mestre prega, ou se importando realmente em entender, Freddie se envolve com a ideia de fazer parte de algo. Contudo, seu espírito, quebrado pela Segunda Guerra Mundial, se mostra instável e indomável, o que gera um conflito entre ele e os membros da seita.

Hoffman, por sua vez, dá vida ao líder carismático, controlado (pelo menos superficialmente), sedutor e vaidoso. A única coisa que ele quer de Freddie é obediência e em troca, oferece superficialmente uma posição dentro de sua família. 

Ele quer domar Freddie, ao mesmo tempo aprecia a devoção violenta dele. Opostos, tanto no caos e controle quanto na atuação. 

Não é exatamente sobre a estrutura de uma seita ou sobre o método aplicado por Dodd, inspirado em Ron Hubbard líder da Scientology, mas o processo de sedução envolvido nesta dinâmica.


O NOME DA ROSA | PORQUÊ VOCÊ DEVERIA ASSISTIR

Adaptação da obra de Umberto Eco, conta a história de um frade e seu companheiro que vão para uma abadia isolada investigar uma morte misteriosa. 


A princípio você tem algo no estilo 


"E se Sherlock Holmes vivesse na idade média?". 


Contém cenas de violência, nudez e sexo (nada moderados para meu gosto). 


O longa é dirigido por Jean Jacques-Annaud com atuações de Sean Connery e Christian Slater. 


A princípio parece ser apenas um caso de mistério, mas conforme o filme vai se desenrolando, temos ali um confronto entre evidências e fanatismo com consequências bem macabras. William (Sean Connery) é o cara das evidências, razão e avido por conhecimento.  Irmão Jorge é o fanático. Entre eles, os que usam a fé e a religião para controle político. 

Para amantes do processo científico, o filme pode ser uma boa história. O personagem de William não apenas conduz uma investigação, como parece ser um bom professor. Você aprende com ele vários princípios da investigação científica, sendo um deles:

A NAVALHA DE OCKHAM 

Princípio de investigação heurístico para a formação de hipóteses. 

Trata-se de um processo de SIMPLIFICAÇÃO onde se "corta" suposições desnecessárias em busca de uma mais simples.

Recebe este nome em homenagem ao Frade Guilherme de William Ockham (alguma coincidência??? ☝️) quem implementou no processo de investigação, embora não tenha sido o criador do processo, que já existe há algum tempo, com notícias de que existe desde Aristóteles. O uso do termo para representá-lo já é algo mais recente.

Basicamente 

A teoria mais simples é provavelmente a mais próxima de como a natureza funciona.

The Hills | Spencer Pratt revela tudo

Imagem: COURTESY MTV O jovem do início dos anos 2000 foi agraciado pela era dos realities tipo novela. Dentre esses realities, The Hills , ...