terça-feira, 24 de maio de 2016

Sex and the City é motivo de tanta piada?






Sou fã assumida de Sex and the City. Assisto uma maratona cada 2 anos desde que a descobri em 2011.

Considerada uma boa série em seus mais gloriosos dias, hoje é lembrada como motivo de piada pelos personagens caricatos e vidas superficiais.

É certo que a série tem seus defeitos (falta de pluralidade étnica de atores, estilos de vida irreais, problemas superficiais). Poderia escrever páginas inteiras sobre os defeitos da série e seus personagens caricatos, a superficialidade dos problemas, a falta de desenvolvimento dos personagens e como Carrie Bradshaw é uma das piores amigas ever. Porém assumi o desafio de defendê-la pois acredito que tem seus méritos e seguem meus argumentos.

Embora hoje seja vista com desdém, foi ela quem abriu caminho para a discussão da liberalidade sexual das mulheres na televisão.

Sex and the City foi uma das primeiras séries a trazer protagonistas femininas e independentes, donas de seu corpo. Trouxe uma protagonista mais humana. Carrie também foi amante, brigou com a amiga porque esta não queria lhe emprestar dinheiro (mesmo sabendo que só não tinha dinheiro porque gastava tudo com sapatos), caiu em um relacionamento tumultuoso e é sexualmente livre.

Hoje temos um movimento de liberdade sexual da mulher muito mais amplo, mas isso se deve a luta constante das mulheres para saírem do papel de mãe, esposa e filha para simplesmente mulher, ponto.

A superficialidade nos problemas desenvolvidos pela série podem ser um problema, ou, como vejo, seu trunfo. Atualmente temos uma abundância de séries com temas tensos e dramáticos (The Walking Dead, Game of Thrones, House of Cards), resultados de uma época menos inocente pós atentados de 11 de setembro. Embora as séries sejam boas, é importante ressaltar que é necessário um escape dessa realidade em que o risco bate à porta a todo momento e lembrar que já houveram épocas que o medo de terroristas era não abrangia o subconsciente norte americano.

No mais, não se pode negar que a série traz momentos cômicos, simples e leves com situações cotidianas, sobre sexo e relacionamentos. Quem se importa se não é todo mundo que fica bebendo Cosmopolitan e comendo brunch toda hora com as amigas? É a leveza do diálogo que importa, não se o apartamento de Carrie é impossivelmente caro para seu emprego. O que tiro de mais importante na série é como ela aborda o sexo e o relacionamento, pois, embora o título seja Sex, trata-se muito mais das relações.

Cada personagem tem algo a acrescentar e mostra as escolhas que as mulheres podem ter. Não é problema algum ser bela, recatada e do lar como Charlotte deseja ser, também não é problema nenhum ser sexualmente liberal como Samantha, as duas vivem no mesmo universo e ambas estão satisfeitas com suas escolhas.

Devo dizer que o final da série não é exatamente o que ela prega desde o início (todo mundo acaba feliz para sempre como casal), mas como na vida, nem sempre a protagonista escolhe um príncipe encantado ou se resolve sozinha. Vejo muitas pessoas falando que querem ficar sozinhas, não sei se é verdade, mas não tem problema admitir que se quer um companheiro ou companheira. É o poder de escolher que seria a premissa da série. Fico feliz que nos filmes Samantha se assume pelo que é, uma mulher que se ama acima de tudo e decide ser feliz como é, sem o príncipe encantado.

Enfim, Sex and the City tem muitos defeitos, mas também tem muitos acertos. Se você não se preocupar com a vida financeira das personagens nem se atentar muito para o quão humanamente egoísta Carrie é, indico como forma de alívio para momentos tristes, principalmente se você acabou de sair de um relacionamento.


Nota: 





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