Ah, lá vai mais uma série de fantasia com magos, orcs, elfos, um grande vilão superpoderoso que só pode ser derrotado pela união de forças entre pessoas diferentes e pelo escolhido. Só igual a todas as outras eu pensei. Ainda assim assisti e, para a minha surpresa, consegue te prender e ser boa. As semelhanças com o universo de Tolkien são evidentes, assim como as várias histórias de fantasia medieval que surgiram desde então, a diferença agora é que o grande mago sábio é uma sacerdotisa com segredos e agenda própria, nada muito boazinha. E as protagonistas são em grande maioria mulheres.
Embora a série traga diversos diálogos expositivos, às vezes forçados e às vezes necessários, trata-se de um universo muito rico e por isso mesmo é interessante dar uma olhada nos conteúdos extras oferecidos pela Amazon, a fim de entender a hierarquia e os povos que existem neste mundo.
No básico, o que se entende é que os protagonistas vivem em um universo em que o "Sauron", o Dark One, deles surgiu e um grande rompimento entre os povos surgiu. Neste universo as mulheres são, à exceção de um Escolhido e do próprio antagonista, as únicas capazes de manipular elementos naturalmente. Os homens que tentam manipular magia neste universo o fazem através de meios que acabam enlouquecendo-os.
As mais habilidosas e poderosas se organizaram em irmandades, representadas por diferentes cores, que conduzem a sociedade e cada irmandade tem um objetivo. Essas irmandades são hierarquicamente organizadas em um grupo e as integrantes são chamadas de Aes Sedai. Exceto pelo grupo das vermelhas (guerreiras), as Aes Sedai costumam ter guardiões que são ligados a elas através de um elo mágico. Aos interessados em estudos sociais, cada grupo parece ser uma vertente do feminismo.
No meio disso tudo, surge uma profecia que alguém na casa dos vinte anos, homem ou mulher, seria capaz de derrotar o grande vilão, o qual seria chamado de O Dragão Renascido. É aí que a personagem de Rosamund Pike, Moiraine, surge para encontrar este escolhido e tentar trazê-lo para seu lado (e alcançar a paz mundial). Nesta jornada ela se depara com cinco jovens habilidosos e precisa descobrir qual deles é o Dragão que pode derrotar o Dark One ou se juntar a ele. Ao mesmo tempo, ela tem que lidar com diversos perigos em seu caminho, como outras pessoas em busca dessa pessoa especial, trollocs (os orcs deles), caminhos perigosos e um grupo de cavaleiros que perseguem essas mulheres, em uma clara alusão à inquisição.
A série é uma adaptação dos romances do autor americano Robert Jordan, com colaboração de Brandon Sanderson nas obras finais. A princípio achei que seria só mais uma adaptação brega que quis acolher os órfãos de Game of Thrones, mas confesso que a produção me impressionou, a fotografia é bonita, a atuação até que é boa, os movimentos mágicos conseguem transmitir essa ideia de manipulação de elementos através de uma sintonia elegante.
No mais, não é uma série perfeita. Os diálogos excessivamente expositivos podem cansar, por outro lado, é difícil introduzir todos os elementos necessários para que o público entenda o universo, então se faz um mal necessário. De qualquer jeito, vale a pena conferir a produção que já está no sétimo episódio, com lançamentos semanais.
Confira o trailer.
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