segunda-feira, 7 de março de 2022

And Just Like That... O que foi isso que vi?

 
Imagem: HBO

Não pelos motivos que você pensa. 


Ou pode ser que seja. O título foi para chamar a atenção mesmo, mas já que você está aqui, seguirei com meus argumentos. Eles podem ser os mesmos que os seus.

Muito se falou nas mudanças das personagens. Miranda principalmente. Desde Sex and the City - O filme 2, a personagem está muito longe da Miranda antenada da série. Aquela que questionava padrões, que colocava limites ou que se animava com a quebra de alguns deles. Após o que parece ter sido uma lavagem cerebral, temos agora uma senhora que parece que nunca ouviu falar de movimentos sociais. Nunca. As quais as atitudes se resumem em micro agressões e vergonha alheia.

Mas não é só isso. A série já chegou no nono episódio e as únicas coisas relevantes que aconteceram foram a morte de Big e a separação de Miranda. Nem mesmo seu romance com Chez conseguiu esquentar uma vez que a construção da história não conseguiu engajar. Uma fumacinha ali, uma cena de sexo desnecessária e cringe aqui, um pedido de divórcio extremamente despido de qualquer emoção e um Steve totalmente descaracterizado. #justiçaparasteve

Aqui cabe uma consideração: muitas pessoas criticaram a participação de Steve na história e a questão da surdez, "forçando" um envelhecimento. Acontece que o ator,  David Eigenberg, realmente tem problemas de audição e isso foi utilizado na história até mesmo como uma forma de inseri-lo na série. Provavelmente isso pode ter causado algum impacto na atuação. 

Aliás, já que estamos falando do núcleo Miranda, que basicamente tomou a série toda, já fica a questão: virou um Cinthya Nixon show. Sem Kim Cattrall e Samantha a série já teria grandes problemas, imagina sem a Miranda também? Acho que a atriz aproveitou a oportunidade. 

Bom, e o final?

Não fiz questão de chegar ao fim da história. Acompanhei apenas as reações no Twitter e no Youtube e bem, não foram nada boas. Basicamente a história só andou para Miranda mesmo. Carrie parou no tempo. A constante referência À morte de Big em qualquer ocasião eliminou qualquer possibilidade de se encontrar um espírito da Carrie do passado, que utilizava os acontecimentos à seu redor para tirar uma lição ou refletir sobre a vida. No fim, sobrou apenas uma casca ambulante que só sabia repetir  algumas falas. Falando nisso, ficou nítido que a falta de narração tirou boa parte da identidade do universo. Os trocadilhos eram excelentes e ajudavam a dar contexto paras as situações, mas aqui há apenas um vazio...

A narrativa não tem liga, as piadas são sem graça e todo o desenvolvimento que essas personagens tiveram ao longo dos anos foi jogado no lixo. Carrie agindo de forma absurdamente infantil não cola mais, Charlotte agindo com suas filhas como se tivesse saído do filme Stepford Wives (Mulheres Perfeitas) em pleno século XXI chega a doer. As mudanças que foram possíveis de observar não tinham nada a ver com as moças. E não, ninguém muda tanto assim. Um exemplo gritante foi o fato de Charlotte não ter reagido como Charlotte ao descobrir que Miranda estava traindo Steve, ela poderia ter reagido com o espírito coerente da personagem, mas o tom poderia ter ser outro, para representar a maturidade.

O possível Transtorno por abuso de álcool de Miranda foi resolvido em menos de um episódio, muito em razão da adição do relacionamento com Chez. Entendo que os roteiristas queriam mostrar que isso era um sintoma da infelicidade da personagem. Mas não. Foi sem noção mesmo. Não se trata alcoolismo assim, é um problema sério. E já que falamos de Miranda, de novo uma vez que o show é dela, parece ser muito off character que ela lute tanto para conseguir uma posição e um estágio para depois abrir mão de tudo para viver uma aventura com uma pessoa que acabou de conhecer. Entendo que os roteiristas tentaram "mostrar" um amadurecimento ou uma mudança através de mais leveza. Finalmente a Miranda vai escolher a vida pessoal ao invés do trabalho. Mas não funcionou. Não esquecemos sua reação quando Carrie disse que iria para Paris e não esquecemos suas inclinações para trabalho. A história não foi bem contada. Não foi bem costurada. Não teve consistência.

Imagem: HBO


Ahhh a idade. Não cheguei na casa dos cinquenta ainda, mas tenho referências. Sim, mudanças ocorrem, menopausa chega, a lombar reclama e os exames precisam estar em dia. Acontece que a série faz parecer que personagens de 50 estão com 90. O guarda-roupa, que era um dos pontos altos da série, não parece atualizado e falta até bom gosto. Uma coisa era se vestir com roupa de festa na rua nos anos 90 e início de 2000, outra coisa é seguir usando aquele estilo hoje em que a preferência geral é por roupas mais confortáveis e não tão bufantes. E as luvas da Carrie são um grande NÃO! A máscara não é importante, mas a luva de lavar louça no meio da rua é. Acho que o momento de roupa mais marcante da temporada toda ocorreu no episódio em que ela vestiu pela segunda vez o icônico vestido Versace, usado em Paris na última temporada da série original, sentou-se na janela e comeu alguma sobra de janta sozinha.

Imagem: HBO


E Samantha... ah... Samantha. Inegavelmente a alma da série original. Não conseguiram preencher o vazio deixado pela personagem e a série ficou recheada de pequenos shades em cima da atriz Kim Cattrall. A personagem é mencionada diversas vezes nos primeiros minutos do primeiro episódio, mas sempre de um jeito amargo. Em determinado momento Carrie solta um "eu era apenas um ATM (caixa eletrônico) para ela?". Ahm, não! Nem a pau. Samantha era a menos julgadora, a mais aberta, fiel e a mais acolhedora. 

Enquanto todo mundo estava apontando o dedo para ela por suas escolhas sexuais e pelo fato de ter se aberto para a oportunidade de ter um relacionamento real com Maria -que foi super criticado pelas outras protagonistas com falas no tipo "ela só quer chamar atenção!" Ou "será que ela ficou sem homem?" . Ela estava sempre ouvindo suas amigas e oferecendo um porto seguro para elas. Ela chegou a oferecer dinheiro para a ingrata da Carrie quando esta precisou depois de ter gastado tudo com sapato e que negou, mas logo em seguida  exigiu ajuda da Charlotte. E não bastasse isso, após o final dessa temporada desastrosa de And Just Like That... os produtores e Sarah Jessica Parker fizeram questão de dizer que a atriz não é bem vinda para retornar para o papel de Samantha. MESMO A PRÓPRIA KIM CATTRALL TENDO RECUSADO A OFERTA INÚMERAS VEZES. 

Sim, esse shade me revoltou.

A HBO alega que a audiência da série foi ótima, mas até que ponto as pessoas assistiram por pura curiosidade ou por Hate Watch -série que você assiste só para se revoltar e falar mal? Não sabemos. Pelas reações nas redes e até mesmo em artigos de revistas, uma visão negativa da série é certa.

Mas e você? O que achou? 

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