terça-feira, 5 de outubro de 2021

MISSA DA MEIA-NOITE DEMORA PARA ENGRENAR, MAS ATÉ QUE VALE A PENA

Imagem: Netflix


Quando leio o nome de Mike Flanagan na direção ou roteiro de algum filme ou série aperto o play sem dúvidas. Desde Jogo Perigoso, A Maldição da Residência Hill até sua adaptação de Doutor Sono foram poucos os trabalhos que não conseguiram alcançar um bom nível de satisfação por parte da crítica especializada ou público, até agora.

Assim como seus outros trabalhos, decidi apertar o play sem pestanejar. E eis que a coisa demorou para engrenar. Demorei para entender o propósito da série ou sobre o que ela iria abordar. Sabia pelo pôster que envolveria algum elemento de terror com boas doses de existencialismo, dor e drama, bem a cara de Flanagan, mas ainda assim foi difícil conseguir chegar no final do terceiro episódio para enfim entender que se tratava de uma discussão entre ciência, crenças, metafísica e religião utilizando a linguagem do terror, e acredito que este tenha sido um dos maiores desafios para a audiência, resultando em um público decepcionado.

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SPOILERS

Flanagan aproveitou toda sua experiência adquirida no ambiente católico para criar uma história que levanta questões relacionadas a crenças, fanatismo e ciência. O elemento vampiro foi uma oportunidade de trazer o elemento simbólico do sangue, presente no rito religioso e que também conversa com a simbólica da transformação através de ingestão. A série é uma grande alegoria.

Ele aproveitou seus personagens para trazer as diferentes visões sobre o tema. Primeiro Riley, aquele que errou e perdeu a esperança, logo tem uma visão mais cética sobre a existência de um algo além do físico. Padre Paul representa aquele que tem fé e passou por uma grande experiência que reforçou ainda mais suas crenças, Beverly é a fanática, Dra. Sarah apresenta a visão científica da coisa e Erin seria o telespectador navegando por estes mistérios e tentando descobrir o que fazer com isso. Ela conduz o olhar do telespectador a partir do episódio 4. 

Temos aqui uma história de vampiro onde a figura é interpretada pelos fiéis de acordo com suas crenças e suas experiências. No final, Flanagan mantém seus personagens fiéis às suas crenças e usa Erin como porta voz de sua visão sobre o mundo como fonte de espiritualidade no mundo sensível. Honestamente, ficou bonito, mas também um pouco clichê e parecendo a abertura da série documental Cosmos. 

Acredito que tenha sido exatamente isso que acabou decepcionando os telespectadores, que provavelmente esperavam mais ação e talvez, com sorte, pancadas nas visões religiosas ou em quem crê no metafísico. 

Da minha parte, o ruim da série é ser extremamente arrastada e cheia de diálogos. Eu queria mais ação, mas foi esse respeito pelas diferentes visões do mundo que fizeram com que terminasse com uma visão positiva da série. E você, o que achou?









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