segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Alguém mais assistiu The Hills?

Imagem: MTV

O ano era 2006, contexto? Dois anos após um reality show chamado Laguna Beach, que acompanhava a vida de jovens ricos e privilegiados de Orange County, ir ao ar na MTV buscando mostrar a "verdadeira" vida dos adolescentes ricos do condado após o sucesso da série fictícia The O.C. Dentre as protagonistas deste reality, uma em particular, Lauren Conrad, chamou a atenção de Adam DiVello que viu potencial para um Spin Off passado em Los Angeles, na região dos Hills. Eis que surge The Hills.

O "reality" que acompanhou as aventuras de Lauren Conrad e seus amigos (ou não) na cidade grande conseguiu fazer mais sucesso que a série original, que Sex and The City e Família Soprano na HBO. Foi um fenômeno que revolucionou a televisão e o conceito de realities. Verdade seja dita, de realidade ali somente a falta de um script, de resto, já restou demonstrado que era basicamente uma novela organizada por produtores que criavam um contexto e colocavam pessoas reais nele para ver a reação. Mas até então, muita gente acreditou que Lauren realmente conseguiu um estágio na Teen Vogue e posteriormente na empresa de Relações Públicas People's Revolution.

Junto com ela acompanhamos o aparecimento do famoso casal Speidi -Spencer Pratt e Heidi Montag-. A princípio Heidi foi introduzida como melhor amiga e colega de casa de Lauren, até que Spencer Pratt apareceu no reality e, em uma tentativa triste de permanecerem relevantes para o programa, acabaram criando confusão com a protagonista e assumindo conscientemente a posição de principais antagonistas da trama.

Verdade seja dita, os produtores conseguiram tirar leite de pedra e fizeram a vida desses jovens parecer super glamurosa. Não só conseguirem contar uma história interessante que conseguiu manter os telespectadores engajados por seis temporadas e deu origem a mais um Spin off, The City, com Whitney Port, a grande responsável (indireta) por este post como acabaram criando toda uma geração de “filhos” desses realities que desenvolveram carreiras no mundo da moda ou outros realities.

A protagonista Lauren Conrad hoje tem sua própria linha de roupas e comércio on-line, assim como Whitney Port e Kristin Cavalllari, participante de Laguna Beach que posteriormente assumiu o comando de The Hills após a saída de Lauren Conrad.

Embora 2006 esteja bem longe e as gerações de adolescentes atuais nem sonhem com esa pérola da TV, acabei me deparando com reacts recentes feitos por Whitney e seu marido, Tim, um ex-produtor executivo de The City. Ambos começaram a reagir a The City na pandemia e decidiram esticar suas reações para as outras séries trazendo suas visões do ocorrido e algumas curiosidades por trás das situações apresentadas.




A melhor parte? Está tudo no youtube. Você assiste ao reality e ainda consegue uma visão do produtor e de uma participante. Para mim, que fui fã até 2010 é um sonho que se tornou realidade, além de proporcionar a oportunidade de rever todas as inspirações fashion  que tive na época (se você acha que trança lateral é coisa de TikTok, hum, nem te conto).



 


Não Olhe Para Cima - Aproveita a onda de polarização, mas peca ao não desenvolver bem a história

Imagem: Netflix

A proposta a princípio é boa, criar uma sátira em cima do contexto negacionista da Pandemia e polarização política. A execução, contudo, é falha.

Sinopse: Um astrofísico (Leonardo DiCaprio) e uma estudante (Jennifer Lawrence) descobrem que um cometa gigantesco está prestes a colidir com a terra no espaço de alguns meses, agora eles tentam alertar as autoridades para que algo seja feito a tempo.

Em uma clara alusão ao momento de pandemia e movimento anti-vacina, anti-aquecimento global e outros, o longa tenta fazer uma crítica ao governo e cidadãos que, ao invés de buscarem ouvir cientistas e pensar de forma razoável, preferem escutar comentaristas de jornais matinais e se informar através de memes no Twitter. Nada pode ser levado a sério, nem mesmo o fim do mundo, e é neste contexto que os protagonistas estão inseridos.

O nada assertivo professor Dr. Randall Mindy (DiCaprio), que inicialmente representa a visão mais clássica do cientista que está tão preso em sua bolha acadêmica que sente dificuldade de passar uma mensagem clara sobre a gravidade do problema, mas que após a exposição midiática acaba se adaptando a um ambiente onde ele está disposto a deixar de lado os princípios básicos do método científico sob a justificativa de que há um bem maior como resultado disso. 

A outra personagem que lidera o longa é a estudante, e primeira a descobrir o cometa, Kate Dibiasky interpretada por Jennifer Lawrence que, devo dizer, parece que não se encaixa muito bem na proposta do filme. Nada contra a atuação, mas a personagem parece não encaixar muito, ela é extremamente sóbria e intensa em um ambiente totalmente fora da caixinha. Embora isso possa ter sido intencional, não sei bem se a performance de Jennifer Lawrence encaixa no contexto, embora sua indignação seja a mais próxima daquela que esperaria de alguém. 

Além deles, contamos com a presença de Meryl Streep como a caricata presidente Orleans, que também não parece encaixar muito, além de ficar exagerada e infantil, e Cate Blanchett, brilhantemente escalada na pele da comentarista estilo "Morning Show" Brie Avantee. De longe, a melhor combinação de atriz e personagem. Falando em presidente neste universo caricato e satírico, talvez alguma coisa na linha de Selina Kyle de Veep cairia melhor. Aliás, pensando bem, ela teria sido perfeita aqui.

De resto, o longa acaba virando um desfile de atores famosos, muitas vezes sem realmente ter um conteúdo para apresentar e acabam desperdiçados, além de ser extremamente repetitivo em alguns seguimentos. O ápice da barrigada é o show com Ariana Grande e os diversos comícios da presidente, cujas cenas também são extremamente repetitivas. 

No mais, a crítica é válida tanto para os telespectadores que não procuram compreender o método científico, bem como aos cientistas que falham ao não conseguir se comunicar com a população no geral, que não é treinada para conhecer o processo de busca por evidências e acaba ficando refém de manchetes sensacionalistas de uma mídia também refém de cliques, políticos mal-intencionados e outros estudiosos extremamente enviesados. 

Acontece que acaba ficando uma crítica rasa, vez que só traduz o que acontece no Twitter e na grande mídia que pode ser resumida em a favor do candidato X ou a favor do candidato Y, enquanto a população no geral é mostrada como um grupo de ovelhas ignorantes. A verdade é que a situação é muito mais complexa que isso. O ser humano é um animal movido pela irracionalidade, primeiro ele crê e depois ele busca pistas para reforçar sua crença. Não se trata de um mau-caratismo, mas de uma característica própria de seu funcionamento, logo, a racionalidade e o ceticismo são contraintuitivos. Ninguém acredita na vertente política esquerda ou direita apenas por uma escolha aleatória, e é nisso que o filme peca em mostrar. Além disso, ele se apresenta como algo novo e atual, mas a verdade é que o ser humano sempre se comportou assim. Não há exatamente uma novidade.

Além disso, esquece-se que ainda que as pessoas no geral passem a concordar com os cientistas, o que é quase impossível uma vez que não existe UMA VERDADE, existem probabilidades e interpretações, não há muito o que indique que as soluções passarão a ser melhores. Afinal, boa parte do poder de "fogo" não está nas mãos de grande parcela da população, está nas mãos de poucos. A maioria sempre foi "refém" de uma minoria que detém o poder. 

Além disso, a direção de Adam McKay não consegue traduzir a grandiosidade de um evento de fim de mundo. Tudo fica extremamente contido a uma realidade americana. Entendo que possa ser uma crítica à essa postura norte-americana  de se colocar como salvadora do mundo, contudo, essa escolha rouba o filme da oportunidade de mostrar a grandiosidade do evento.

De resto, se tratando de uma crítica ácida ao momento atual, o filme passa de ano. Poderia ser mais sutil e enxuto em alguns momentos, mas as piadas apresentadas têm seu valor e algumas até tem o potencial de virar meme (o cara cobrou pelo lanche grátis).


Nota: 6/10.




  

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

VOCÊ JÁ ASSISTIU SUPERSTORE?

    

imagem Prime Video 



    Disponível atualmente na Netflix (seis temporadas) e na Prime Video, Superstore ou Superloja é uma sitcom sobre pessoas que trabalham em uma grande loja de departamento chamada Cloud 9. Não parece ser muito interessante a princípio, confesso que não assisti antes porque achei que a proposta era "forçada". Contudo, após ver que tinha seis temporadas e observar que várias pessoas com gostos parecidos com os meus adoram, decidi dar uma chance e não me arrependo nenhum pouco.

    Trata-se uma sitcom criada por Justin Spitzer e estrelada por America Ferrera (Ugly Betty) e Ben Feldman (Drop Dead Diva), e acompanha o dia a dia de funcionários desta loja. Não só as piadas são ótimas, como as situações e personagens são incrivelmente relacionáveis, consigo me ver naquela loja. Além do mais, os episódios trazem cenas de coisas corriqueiras que acontecem dentro de um supermercado (por mais absurdas que pareçam).

    A sexta temporada chegou recentemente no streaming da Netflix, mas você pode ver outras temporadas também na Prime Video. Não sei até quando os episódios ficarão disponíveis nas plataformas, não perca.


A Roda do Tempo - série boa na Prime Video

     

Amazon Prime Video

    Ah, lá vai mais uma série de fantasia com magos, orcs, elfos, um grande vilão superpoderoso que só pode ser derrotado pela união de forças entre pessoas diferentes e pelo escolhido. Só igual a todas as outras eu pensei. Ainda assim assisti e, para a minha surpresa, consegue te prender e ser boa. As semelhanças com o universo de Tolkien são evidentes, assim como as várias histórias de fantasia medieval que surgiram desde então, a diferença agora é que o grande mago sábio é uma sacerdotisa com segredos e agenda própria, nada muito boazinha. E as protagonistas são em grande maioria mulheres.

   Embora a série traga diversos diálogos expositivos, às vezes forçados e às vezes necessários, trata-se de um universo muito rico e por isso mesmo é interessante dar uma olhada nos conteúdos extras oferecidos pela Amazon, a fim de entender a hierarquia e os povos que existem neste mundo.

    No básico, o que se entende é que os protagonistas vivem em um universo em que o "Sauron", o Dark One, deles surgiu e um grande rompimento entre os povos surgiu. Neste universo as mulheres são, à exceção de um Escolhido e do próprio antagonista, as únicas capazes de manipular elementos naturalmente. Os homens que tentam manipular magia neste universo o fazem através de meios que acabam enlouquecendo-os.

    As mais habilidosas e poderosas se organizaram em irmandades, representadas por diferentes cores, que conduzem a sociedade e cada irmandade tem um objetivo. Essas irmandades são hierarquicamente organizadas em um grupo e as integrantes são chamadas de Aes Sedai. Exceto pelo grupo das vermelhas (guerreiras), as Aes Sedai costumam ter guardiões que são ligados a elas através de um elo mágico. Aos interessados em estudos sociais, cada grupo parece ser uma vertente do feminismo.

    No meio disso tudo, surge uma profecia que alguém na casa dos vinte anos, homem ou mulher, seria capaz de derrotar o grande vilão, o qual seria chamado de O Dragão Renascido. É aí que a personagem de Rosamund Pike, Moiraine, surge para encontrar este escolhido e tentar trazê-lo para seu lado (e alcançar a paz mundial). Nesta jornada ela se depara com cinco jovens habilidosos e precisa descobrir qual deles é o Dragão que pode derrotar o Dark One ou se juntar a ele. Ao mesmo tempo, ela tem que lidar com diversos perigos em seu caminho, como outras pessoas em busca dessa pessoa especial, trollocs (os orcs deles), caminhos perigosos e um grupo de cavaleiros que perseguem essas mulheres, em uma clara alusão à inquisição.

    A série é uma adaptação dos romances do autor americano Robert Jordan, com colaboração de Brandon Sanderson nas obras finais. A princípio achei que seria só mais uma adaptação brega que quis acolher os órfãos de Game of Thrones, mas confesso que a produção me impressionou, a fotografia é bonita, a atuação até que é boa, os movimentos mágicos conseguem transmitir essa ideia de manipulação de elementos através de uma sintonia elegante. 

    No mais, não é uma série perfeita. Os diálogos excessivamente expositivos podem cansar, por outro lado, é difícil introduzir todos os elementos necessários para que o público entenda o universo, então se faz um mal necessário. De qualquer jeito, vale a pena conferir a produção que já está no sétimo episódio, com lançamentos semanais. 


Confira o trailer.



 

    

    


sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

And Just Like That... Sex and the City morreu

 
HBO

 

 E deu lugar para uma série nova composta pelas três protagonistas de Sex and The City e outras três personagens novas, cujos únicos propósitos são servir, a princípio, como um "pedido de desculpas" por todo o politicamente incorreto da série original. Essas novas adições, até o momento não têm histórias próprias, servem unicamente para navegar em torno das protagonistas e mostrar o quanto estas mulheres terão que correr contra o tempo para se atualizar com as novas demandas sociais, contudo, fica apenas cringe. Mas vamos por partes.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

MISSA DA MEIA-NOITE DEMORA PARA ENGRENAR, MAS ATÉ QUE VALE A PENA

Imagem: Netflix


Quando leio o nome de Mike Flanagan na direção ou roteiro de algum filme ou série aperto o play sem dúvidas. Desde Jogo Perigoso, A Maldição da Residência Hill até sua adaptação de Doutor Sono foram poucos os trabalhos que não conseguiram alcançar um bom nível de satisfação por parte da crítica especializada ou público, até agora.

Assim como seus outros trabalhos, decidi apertar o play sem pestanejar. E eis que a coisa demorou para engrenar. Demorei para entender o propósito da série ou sobre o que ela iria abordar. Sabia pelo pôster que envolveria algum elemento de terror com boas doses de existencialismo, dor e drama, bem a cara de Flanagan, mas ainda assim foi difícil conseguir chegar no final do terceiro episódio para enfim entender que se tratava de uma discussão entre ciência, crenças, metafísica e religião utilizando a linguagem do terror, e acredito que este tenha sido um dos maiores desafios para a audiência, resultando em um público decepcionado.

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SPOILERS

Flanagan aproveitou toda sua experiência adquirida no ambiente católico para criar uma história que levanta questões relacionadas a crenças, fanatismo e ciência. O elemento vampiro foi uma oportunidade de trazer o elemento simbólico do sangue, presente no rito religioso e que também conversa com a simbólica da transformação através de ingestão. A série é uma grande alegoria.

Ele aproveitou seus personagens para trazer as diferentes visões sobre o tema. Primeiro Riley, aquele que errou e perdeu a esperança, logo tem uma visão mais cética sobre a existência de um algo além do físico. Padre Paul representa aquele que tem fé e passou por uma grande experiência que reforçou ainda mais suas crenças, Beverly é a fanática, Dra. Sarah apresenta a visão científica da coisa e Erin seria o telespectador navegando por estes mistérios e tentando descobrir o que fazer com isso. Ela conduz o olhar do telespectador a partir do episódio 4. 

Temos aqui uma história de vampiro onde a figura é interpretada pelos fiéis de acordo com suas crenças e suas experiências. No final, Flanagan mantém seus personagens fiéis às suas crenças e usa Erin como porta voz de sua visão sobre o mundo como fonte de espiritualidade no mundo sensível. Honestamente, ficou bonito, mas também um pouco clichê e parecendo a abertura da série documental Cosmos. 

Acredito que tenha sido exatamente isso que acabou decepcionando os telespectadores, que provavelmente esperavam mais ação e talvez, com sorte, pancadas nas visões religiosas ou em quem crê no metafísico. 

Da minha parte, o ruim da série é ser extremamente arrastada e cheia de diálogos. Eu queria mais ação, mas foi esse respeito pelas diferentes visões do mundo que fizeram com que terminasse com uma visão positiva da série. E você, o que achou?









sábado, 25 de setembro de 2021

DEIXE-ME VIVER | WHITE OLEANDER | DICA DE FILME



Recentemente a Prime Video disponibilizou em sua plataforma o longa Deixe-me Viver (White Oleander), drama estadunidense de 2002 com  Alison Lohman, Michelle Pfeiffer, Robin Wright, e Renée Zellweger, baseado no livro de Janet Fitch e com roteiro de Mary Agnes Donoghue.

Nele, acompanhamos uma adolescente, Astrid interpretada por Alison Lohman, passando por vários lares adotivos depois que sua mãe, a renomada artista Ingrid interpretada por Michelle Pfeiffer, após esta ter cometido um crime.

Ingrid (Michelle Pfeiffer) é uma bela artista a qual todos sempre se referem como uma mulher forte e implacável. Já Astrid, a princípio, é uma jovem doce e em busca de aprovação sob a sombra dessa potência. Um dia, a artista começa a se relacionar e descobre que seu namorado a está traindo com outras mulheres mais jovens. É aí que, sem pensar na filha ou nas consequências, Ingrid decide envenená-lo com uma mistura que contém oleandro branco, uma flor bela, porém fatal. Ela vai presa e então Astrid vai parar em uma série de lares adotivos, onde se depara com diferentes figuras maternas.

O grande condutor da história é o relacionamento entre mãe e filha, quais as consequências dele para o relacionamento de Astrid com suas cuidadoras e como ele ajuda a moldar sua visão de mundo. O longa é um bom drama para quem busca analisar relacionamentos entre mães e filhas longe da ideia romântica de mulher cuidadora e acolhedora.

A disponibilidade do longa depende da plataforma e não há previsão por quanto tempo ele permanecerá lá, então sugiro que assista logo caso tenha interesse.


 


The Hills | Spencer Pratt revela tudo

Imagem: COURTESY MTV O jovem do início dos anos 2000 foi agraciado pela era dos realities tipo novela. Dentre esses realities, The Hills , ...