segunda-feira, 7 de março de 2022

The Hills | Spencer Pratt revela tudo

Imagem: COURTESY MTV

O jovem do início dos anos 2000 foi agraciado pela era dos realities tipo novela. Dentre esses realities, The Hills, spin off de Laguna Beach, fez história ao misturar situações da vida real com narrativas montadas em uma sala de edição, proporcionando grandes dramas e uma bela fotografia. Não era possível saber o que era real ou o que era atuação, até onde ia a vida pessoal dos participantes e até onde as situações eram manipuladas. Algo que foi até mesmo reconhecido pela produção na última cena do reality, onde Brody se despede de Kristin Cavallari enquanto a produção começa a desmontar o cenário. Genial. O programa teve Lauren Conrad como protagonista e vendeu, durante muitos anos, a imagem de Spencer Pratt e Heidi Montag como os antagonistas.

Durante muitos anos os integrantes do reality disseram que muitas situações foram construídas pela produção para ver como eles iriam reagir, já havia a especulação de que o estágio de Lauren e Whitney, bem como o emprego de Heidi em uma produtora de evento, foram organizados pela produção do programa e não eram reais. Isso foi confirmado pelas próprias moças tanto em entrevistas quanto em vídeo. Lauren chegou a usar sua experiência para vender livros ficcionais, mas é difícil vê-la se abrindo sobre essa experiência. Já Whitney e seu marido, que foi produtor de The City, fez um react para cada episódio de The Hills e para o Spin Off próprio que podem ser encontrados em seu canal do youtube. Aqui é possível ver até onde era real e o que era produção. SPOILERS, era quase tudo produção.


Mas até então, não foi possível saber até que ponto exatamente as coisas foram manipuladas e principalmente, qual a participação dos protagonistas e antagonistas em boa parte do drama que dominou a partir da 3ª temporada. Eis que Spencer Pratt, um dos maiores "vilões" da televisão, decidiu soltar a real, cena a cena, para seu público na rede TikTok. Em uma das revelações, ele diz que a cena em que Heidi revela para ele que fez um teste de gravidez foi inteiramente orquestrada e encenada. Ele aproveitou a oportunidade para criticar os produtores, mais velhos, por inserir jovens na casa dos 20 anos em situações do tipo sob promessas de fama e oportunidades em atuação.

Outra revelação é que muitas cenas foram colocadas fora de ordem, diálogos foram recortados e até dublados com roteiro para criar uma linha narrativa. Há até um nome para isso, Frankenbiting. Um grande exemplo foi o rolo que ele supostamente teve com Audrina enquanto tentava namorar Heidi na segunda temporada. Segundo Spencer, muitas cenas gravadas foram arranjadas de forma a parecer que ele estava indo atrás de Audrina enquanto ficava com Heidi, sendo que a cena em que ele dá rosas para Audrina foi orquestrada e o relacionamento com Heidi só foi desenvolvido tempos depois uma vez que a própria moça não queria algo exclusivo! Sim, ele foi retratado como um player. Boy lixo. Na verdade era ela quem não queria e houve muito trabalho de edição por trás de tudo isso. Em diversas oportunidades ele é retratado como o namorado dela, mas ela nem queria um e estava saindo com outras pessoas.

Honestamente, para quem o odiou anos atrás, descobri uma pessoa completamente diferente através de entrevistas e TikTok. Spencer e Heidi hoje não lembram em nada a dupla "Speidi"  sedenta por fama nos anos 2000 e levam uma vida mais tranquila e têm um filho. Após terem gastado boa parte da grana recebida no reality, hoje Spencer tem uma loja de cristais e Heidi trabalha com aparições e está tentando ressuscitar sua carreira no mundo musical. O casal também apareceu recentemente em The Hills: New Beginnings. 

Fique por dentro das revelações aqui:

@spencerpratt Yah sure they don’t have one clip of either Brody or I talking to LC and or Heidi at her bday we were allegedly at …. Hmmmmm #thehills #realitytv #editing #fake #sctiptedtv #mtv #thespills ♬ original sound - spencerpratt


And Just Like That... O que foi isso que vi?

 
Imagem: HBO

Não pelos motivos que você pensa. 


Ou pode ser que seja. O título foi para chamar a atenção mesmo, mas já que você está aqui, seguirei com meus argumentos. Eles podem ser os mesmos que os seus.

Muito se falou nas mudanças das personagens. Miranda principalmente. Desde Sex and the City - O filme 2, a personagem está muito longe da Miranda antenada da série. Aquela que questionava padrões, que colocava limites ou que se animava com a quebra de alguns deles. Após o que parece ter sido uma lavagem cerebral, temos agora uma senhora que parece que nunca ouviu falar de movimentos sociais. Nunca. As quais as atitudes se resumem em micro agressões e vergonha alheia.

Mas não é só isso. A série já chegou no nono episódio e as únicas coisas relevantes que aconteceram foram a morte de Big e a separação de Miranda. Nem mesmo seu romance com Chez conseguiu esquentar uma vez que a construção da história não conseguiu engajar. Uma fumacinha ali, uma cena de sexo desnecessária e cringe aqui, um pedido de divórcio extremamente despido de qualquer emoção e um Steve totalmente descaracterizado. #justiçaparasteve

Aqui cabe uma consideração: muitas pessoas criticaram a participação de Steve na história e a questão da surdez, "forçando" um envelhecimento. Acontece que o ator,  David Eigenberg, realmente tem problemas de audição e isso foi utilizado na história até mesmo como uma forma de inseri-lo na série. Provavelmente isso pode ter causado algum impacto na atuação. 

Aliás, já que estamos falando do núcleo Miranda, que basicamente tomou a série toda, já fica a questão: virou um Cinthya Nixon show. Sem Kim Cattrall e Samantha a série já teria grandes problemas, imagina sem a Miranda também? Acho que a atriz aproveitou a oportunidade. 

Bom, e o final?

Não fiz questão de chegar ao fim da história. Acompanhei apenas as reações no Twitter e no Youtube e bem, não foram nada boas. Basicamente a história só andou para Miranda mesmo. Carrie parou no tempo. A constante referência À morte de Big em qualquer ocasião eliminou qualquer possibilidade de se encontrar um espírito da Carrie do passado, que utilizava os acontecimentos à seu redor para tirar uma lição ou refletir sobre a vida. No fim, sobrou apenas uma casca ambulante que só sabia repetir  algumas falas. Falando nisso, ficou nítido que a falta de narração tirou boa parte da identidade do universo. Os trocadilhos eram excelentes e ajudavam a dar contexto paras as situações, mas aqui há apenas um vazio...

A narrativa não tem liga, as piadas são sem graça e todo o desenvolvimento que essas personagens tiveram ao longo dos anos foi jogado no lixo. Carrie agindo de forma absurdamente infantil não cola mais, Charlotte agindo com suas filhas como se tivesse saído do filme Stepford Wives (Mulheres Perfeitas) em pleno século XXI chega a doer. As mudanças que foram possíveis de observar não tinham nada a ver com as moças. E não, ninguém muda tanto assim. Um exemplo gritante foi o fato de Charlotte não ter reagido como Charlotte ao descobrir que Miranda estava traindo Steve, ela poderia ter reagido com o espírito coerente da personagem, mas o tom poderia ter ser outro, para representar a maturidade.

O possível Transtorno por abuso de álcool de Miranda foi resolvido em menos de um episódio, muito em razão da adição do relacionamento com Chez. Entendo que os roteiristas queriam mostrar que isso era um sintoma da infelicidade da personagem. Mas não. Foi sem noção mesmo. Não se trata alcoolismo assim, é um problema sério. E já que falamos de Miranda, de novo uma vez que o show é dela, parece ser muito off character que ela lute tanto para conseguir uma posição e um estágio para depois abrir mão de tudo para viver uma aventura com uma pessoa que acabou de conhecer. Entendo que os roteiristas tentaram "mostrar" um amadurecimento ou uma mudança através de mais leveza. Finalmente a Miranda vai escolher a vida pessoal ao invés do trabalho. Mas não funcionou. Não esquecemos sua reação quando Carrie disse que iria para Paris e não esquecemos suas inclinações para trabalho. A história não foi bem contada. Não foi bem costurada. Não teve consistência.

Imagem: HBO


Ahhh a idade. Não cheguei na casa dos cinquenta ainda, mas tenho referências. Sim, mudanças ocorrem, menopausa chega, a lombar reclama e os exames precisam estar em dia. Acontece que a série faz parecer que personagens de 50 estão com 90. O guarda-roupa, que era um dos pontos altos da série, não parece atualizado e falta até bom gosto. Uma coisa era se vestir com roupa de festa na rua nos anos 90 e início de 2000, outra coisa é seguir usando aquele estilo hoje em que a preferência geral é por roupas mais confortáveis e não tão bufantes. E as luvas da Carrie são um grande NÃO! A máscara não é importante, mas a luva de lavar louça no meio da rua é. Acho que o momento de roupa mais marcante da temporada toda ocorreu no episódio em que ela vestiu pela segunda vez o icônico vestido Versace, usado em Paris na última temporada da série original, sentou-se na janela e comeu alguma sobra de janta sozinha.

Imagem: HBO


E Samantha... ah... Samantha. Inegavelmente a alma da série original. Não conseguiram preencher o vazio deixado pela personagem e a série ficou recheada de pequenos shades em cima da atriz Kim Cattrall. A personagem é mencionada diversas vezes nos primeiros minutos do primeiro episódio, mas sempre de um jeito amargo. Em determinado momento Carrie solta um "eu era apenas um ATM (caixa eletrônico) para ela?". Ahm, não! Nem a pau. Samantha era a menos julgadora, a mais aberta, fiel e a mais acolhedora. 

Enquanto todo mundo estava apontando o dedo para ela por suas escolhas sexuais e pelo fato de ter se aberto para a oportunidade de ter um relacionamento real com Maria -que foi super criticado pelas outras protagonistas com falas no tipo "ela só quer chamar atenção!" Ou "será que ela ficou sem homem?" . Ela estava sempre ouvindo suas amigas e oferecendo um porto seguro para elas. Ela chegou a oferecer dinheiro para a ingrata da Carrie quando esta precisou depois de ter gastado tudo com sapato e que negou, mas logo em seguida  exigiu ajuda da Charlotte. E não bastasse isso, após o final dessa temporada desastrosa de And Just Like That... os produtores e Sarah Jessica Parker fizeram questão de dizer que a atriz não é bem vinda para retornar para o papel de Samantha. MESMO A PRÓPRIA KIM CATTRALL TENDO RECUSADO A OFERTA INÚMERAS VEZES. 

Sim, esse shade me revoltou.

A HBO alega que a audiência da série foi ótima, mas até que ponto as pessoas assistiram por pura curiosidade ou por Hate Watch -série que você assiste só para se revoltar e falar mal? Não sabemos. Pelas reações nas redes e até mesmo em artigos de revistas, uma visão negativa da série é certa.

Mas e você? O que achou? 

sábado, 5 de fevereiro de 2022

RATCHED NA NETFLIX | O QUE É LOBOTOMIA?

 

Imagem Netflix

O nome advém da área do cérebro a qual chamamos de Lobo.

A trepanação, perfuração, do crânio humano é o procedimento cirúrgico mais antigo documentado realizado pelo homem.

Crânios perfurados foram encontrados desde o Velho Mundo da Europa e Ásia até o Novo Mundo, particularmente o Peru na América do Sul, desde o Neolítico até o início da história.

Era feito para tratar epilepsia, convulsões infantis, dores de cabeça e várias doenças cerebrais que se acreditava serem causadas por demônios confinados, para os quais o buraco era um método de fuga fácil.

Já em 1848, Phineas Gage sobreviveu a um acidente onde uma barra de ferro perfurou seu crânio e atingiu seu lobo frontal, resultando em uma mudança notável em seu comportamento. Desde então, cientistas direcionaram seus esforços para entender o papel dos lobos frontais no nosso comportamento, resultando em diversos experimentos.

No século 20, a lobotomia tornou-se uma alternativa de tratamento para doenças mentais graves, como esquizofrenia e depressão severa. Os médicos até o usavam para tratar dores crônicas ou severas e dores nas costas.

A técnica, idealizada pelo neurologista português Egas Moniz em 1935 e aperfeiçoada pelo americano Walter Freeman, consiste em uma uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas.

Embora alguns pacientes até apresentassem algum tipo de melhora de um quadro, a lobotomia muitas vezes os transformava em vegetais ou simplesmente os tornava mais dóceis, passivos e fáceis de controlar. Infelizmente ela foi usada indiscriminadamente como forma de controle da população manicomial e até mesmo de crianças que não se comportavam.

Os efeitos irreversíveis do método acabaram fazendo com que se avançasse os estudos sobre psicofármacos e psicoterapias 🙌 (ainda bem).

Hoje a lobotomia não é mais utilizada (como vemos na série), embora procedimentos cirúrgicos possam ser usados para tratamentos muito específicos e com muito cuidado.


Fontes: The Surprising History of the Lobotomy, By Margarita Tartakovsky, M.S


https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3640229/


Masiero, André Luis. (2003). A lobotomia e a leucotomia nos manicômios brasileiros. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, 10(2), 549-572. https://doi.org/10.1590/S0104-59702003000200004




AKIRA | SE VOCÊ GOSTA DE FICÇÃO CIENTÍFICA, O FILME É PARA VOCÊ

 


Quem assistir em 2021 pode achar que é só mais um anime. Achei muito bom, mas tive a sensação que já tinha visto antes. 

Mas a verdade é que o que vi até agora é justamente o que veio depois 🤷. Akira influenciou  fortemente a cultura pop, ajudando a dar corpo para o cyberpunk inclusive, isso sem falar em várias produções de Hollywood que têm como tema experimentos do governo, telecinésia e outros. Aliás, uma boa referência atual seria Stranger Things e o longa Poder Sem Limites. Isso sem falar na famosa moto que aparece até no filme Jogador N°1.

Mas não influenciou apenas longa metragens, ATÉ KANYE WEST usou Akira como inspiração para o clipe da música STRONGER (que adoro!).


SINOPSE

O longa começa com uma explosão que destrói a cidade de Tóquio em 1988 e depois pula para 2019, onde a cidade foi reconstruída, mas gangues de motocicletas disputam território e protestos violentos ocorrem. No meio de tudo isso, uma criança com poderes surge misteriosamente (Eleven?????) e muda a vida de um jovem chamado Tetsuo, que descobre ter poderes também. Poderes estes parecidos com os de uma figura quase divina, Akira. 


OBSERVAÇÃO 


O filme serve como bom complemento para os últimos episódios dos documentários WWII em Cores na Netflix. É inegável que há na ficção uma forte presencença dos traumas gerados pela queda das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. O ataque gerou um trauma, os experimentos realizados com seus habitantes sobreviventes (crianças inclusive) posteriormemte e os segredos mantidos pelos Estados foram outros.


OUTRO ELEMENTO IMPORTANTE 


SPOILERS ☄️ 


A destruição de Tetsuo ocorre de dentro para fora, representando a corrupção pelo poder. A coisa cresce e o engole. E nisso você pode colocar Tetsuo como um homem corrompido ou como uma sociedade embriagada pelo poder de matar, além de toda a questão de segredos do governo sobre armas de grande potencial destrutivo e experimentos moralmente questionáveis. 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

IDIOCRACIA | ANÁLISE

 


Um soldado americano, Joe Bauers,  com QI mediano e uma Sex Worker participam de um experimento do governo que dá errado, e ambos acabam acordando em um futuro onde o QI da humanidade diminuiu significativamente.

CAUSAS (filme): pessoas inteligentes se reproduziram menos, enquanto as anti-intelectuais e orgulhosamente ignorantes se tornaram cada vez mais dependentes de máquinas, grandes empresas e se reproduziram muito mais. Neste processo, estupidez e preguiça de tornaram virtudes. 

O longa é uma crítica ao crescente movimento de idiotização voluntária, onde as pessoas ficam horas e horas em frente à TV consumindo produtos pop cada vez mais rasos, enquanto as grandes corporações compram "estudos" e órgãos do governo, e os governantes incapazes entram no jogo do poder por popularidade, não capacidade de governar. 


*Se atualizado, o filme poderia colocar alguma rede social no lugar da TV. 


**

Não se trata realmente de um debate sobre QI 👇 

O QI é uma medida de inteligência formada a partir de uma complexa sequência de interações entre fatores ambientais e hereditários. 

É um forte preditor de desempenho em tarefas mais complexas e consequentemente, um indicador de performance, capacidade de encontrar bons trabalhos, fazer dinheiro entre outros. Mas não é o único. 

E a discussão sobre inteligência não se encerra aqui, o psicólogo Howard Gardner entende que existem 8 tipos de inteligência: espacial, cinestésica, musical, linguística, lógica, interpessoal, intrapessoal e naturalista.

🎬🎬🎬 Mas voltando ao filme...


Através de um processo de seleção ocorrida ao longos de centenas de anos, o QI da população mundial diminui a tal ponto que Joe se torna o homem mais inteligente do mundo, enquanto o restante da população é escrava de filmes rasos e idiotizantes. Qualquer frase mais complexa, ou indício de inteligência, logo é mal vista e recebida como uma ofensa, e a reação é violenta. 

O longa tem alguns pontos interessantes, como o fato da empresa de bebidas ter investido em "estudos" mostrando que é melhor que água, comprado tudo quanto é empresa e depois até mesmo órgãos do governo (corrupção), consequentemente causando uma devastação ambiental e se tornando o próprio Estado. Qualquer semelhança... 

Não é difícil observar a quantidade de artigos "científicos" circulando por aí, menos ainda ver que boa parte deles têm financiamentos curiosos, além de VIESES os quais não são atacapados por pares. Melhor ainda, a quantidade de portais de notícias que dão luz a esses artigos, sem qualquer crítica. Honestamente, não parece algo tão longe assim.

Mas para mim, a sacada do filme está no fato de que a sociedade praticamente BUSCOU ficar assim através da preguiça e constante desmerecimento de atividades mais complexas ou decisões que não são imediatamente satisfatórias, mas que podem representar ganhos futuros. Além disso, para que pensar se alguém pensa por você? Para que fazer se a máquina faz por você? 

A sociedade enriquece, poucos desenvolvem tecnologias que facilitam a vida, logo, neste processo, a massa não precisa mais se educar, já que tem alguém ou uma máquina que faz por ela. Ou seja, é também uma crítica ao Darwinismo social. 

Some a este contexto a política como concurso de popularidade e pronto. Qualquer semelhança... Deve ser por isso que o filme quase não foi divulgado e logo esquecido. As semelhanças são vergonhosas.

O longa certamente foi pensado a partir da cultura americana (TV, Fast Food, adoração às personalidades de reality show), mas é facilmente transportado para cá.


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O MESTRE | ANÁLISE DE FILME

 


Por que pessoas se tornam membros de uma seita?

Não sei se foi esta a pergunta que Paul Thomas Anderson fez ao escrever o roteiro do longa, mas foi isso que captei.

Nele temos um protagonista (Joaquim Phoenix, que foi criado em uma seita) marcado pela guerra e pelo abandono, que na busca por pertencimento acaba encontrando seu Mestre (Philip Seymour Hoffman). 

Sem entender exatamente o que seu mestre prega, ou se importando realmente em entender, Freddie se envolve com a ideia de fazer parte de algo. Contudo, seu espírito, quebrado pela Segunda Guerra Mundial, se mostra instável e indomável, o que gera um conflito entre ele e os membros da seita.

Hoffman, por sua vez, dá vida ao líder carismático, controlado (pelo menos superficialmente), sedutor e vaidoso. A única coisa que ele quer de Freddie é obediência e em troca, oferece superficialmente uma posição dentro de sua família. 

Ele quer domar Freddie, ao mesmo tempo aprecia a devoção violenta dele. Opostos, tanto no caos e controle quanto na atuação. 

Não é exatamente sobre a estrutura de uma seita ou sobre o método aplicado por Dodd, inspirado em Ron Hubbard líder da Scientology, mas o processo de sedução envolvido nesta dinâmica.


O NOME DA ROSA | PORQUÊ VOCÊ DEVERIA ASSISTIR

Adaptação da obra de Umberto Eco, conta a história de um frade e seu companheiro que vão para uma abadia isolada investigar uma morte misteriosa. 


A princípio você tem algo no estilo 


"E se Sherlock Holmes vivesse na idade média?". 


Contém cenas de violência, nudez e sexo (nada moderados para meu gosto). 


O longa é dirigido por Jean Jacques-Annaud com atuações de Sean Connery e Christian Slater. 


A princípio parece ser apenas um caso de mistério, mas conforme o filme vai se desenrolando, temos ali um confronto entre evidências e fanatismo com consequências bem macabras. William (Sean Connery) é o cara das evidências, razão e avido por conhecimento.  Irmão Jorge é o fanático. Entre eles, os que usam a fé e a religião para controle político. 

Para amantes do processo científico, o filme pode ser uma boa história. O personagem de William não apenas conduz uma investigação, como parece ser um bom professor. Você aprende com ele vários princípios da investigação científica, sendo um deles:

A NAVALHA DE OCKHAM 

Princípio de investigação heurístico para a formação de hipóteses. 

Trata-se de um processo de SIMPLIFICAÇÃO onde se "corta" suposições desnecessárias em busca de uma mais simples.

Recebe este nome em homenagem ao Frade Guilherme de William Ockham (alguma coincidência??? ☝️) quem implementou no processo de investigação, embora não tenha sido o criador do processo, que já existe há algum tempo, com notícias de que existe desde Aristóteles. O uso do termo para representá-lo já é algo mais recente.

Basicamente 

A teoria mais simples é provavelmente a mais próxima de como a natureza funciona.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Alguém mais assistiu The Hills?

Imagem: MTV

O ano era 2006, contexto? Dois anos após um reality show chamado Laguna Beach, que acompanhava a vida de jovens ricos e privilegiados de Orange County, ir ao ar na MTV buscando mostrar a "verdadeira" vida dos adolescentes ricos do condado após o sucesso da série fictícia The O.C. Dentre as protagonistas deste reality, uma em particular, Lauren Conrad, chamou a atenção de Adam DiVello que viu potencial para um Spin Off passado em Los Angeles, na região dos Hills. Eis que surge The Hills.

O "reality" que acompanhou as aventuras de Lauren Conrad e seus amigos (ou não) na cidade grande conseguiu fazer mais sucesso que a série original, que Sex and The City e Família Soprano na HBO. Foi um fenômeno que revolucionou a televisão e o conceito de realities. Verdade seja dita, de realidade ali somente a falta de um script, de resto, já restou demonstrado que era basicamente uma novela organizada por produtores que criavam um contexto e colocavam pessoas reais nele para ver a reação. Mas até então, muita gente acreditou que Lauren realmente conseguiu um estágio na Teen Vogue e posteriormente na empresa de Relações Públicas People's Revolution.

Junto com ela acompanhamos o aparecimento do famoso casal Speidi -Spencer Pratt e Heidi Montag-. A princípio Heidi foi introduzida como melhor amiga e colega de casa de Lauren, até que Spencer Pratt apareceu no reality e, em uma tentativa triste de permanecerem relevantes para o programa, acabaram criando confusão com a protagonista e assumindo conscientemente a posição de principais antagonistas da trama.

Verdade seja dita, os produtores conseguiram tirar leite de pedra e fizeram a vida desses jovens parecer super glamurosa. Não só conseguirem contar uma história interessante que conseguiu manter os telespectadores engajados por seis temporadas e deu origem a mais um Spin off, The City, com Whitney Port, a grande responsável (indireta) por este post como acabaram criando toda uma geração de “filhos” desses realities que desenvolveram carreiras no mundo da moda ou outros realities.

A protagonista Lauren Conrad hoje tem sua própria linha de roupas e comércio on-line, assim como Whitney Port e Kristin Cavalllari, participante de Laguna Beach que posteriormente assumiu o comando de The Hills após a saída de Lauren Conrad.

Embora 2006 esteja bem longe e as gerações de adolescentes atuais nem sonhem com esa pérola da TV, acabei me deparando com reacts recentes feitos por Whitney e seu marido, Tim, um ex-produtor executivo de The City. Ambos começaram a reagir a The City na pandemia e decidiram esticar suas reações para as outras séries trazendo suas visões do ocorrido e algumas curiosidades por trás das situações apresentadas.




A melhor parte? Está tudo no youtube. Você assiste ao reality e ainda consegue uma visão do produtor e de uma participante. Para mim, que fui fã até 2010 é um sonho que se tornou realidade, além de proporcionar a oportunidade de rever todas as inspirações fashion  que tive na época (se você acha que trança lateral é coisa de TikTok, hum, nem te conto).



 


Não Olhe Para Cima - Aproveita a onda de polarização, mas peca ao não desenvolver bem a história

Imagem: Netflix

A proposta a princípio é boa, criar uma sátira em cima do contexto negacionista da Pandemia e polarização política. A execução, contudo, é falha.

Sinopse: Um astrofísico (Leonardo DiCaprio) e uma estudante (Jennifer Lawrence) descobrem que um cometa gigantesco está prestes a colidir com a terra no espaço de alguns meses, agora eles tentam alertar as autoridades para que algo seja feito a tempo.

Em uma clara alusão ao momento de pandemia e movimento anti-vacina, anti-aquecimento global e outros, o longa tenta fazer uma crítica ao governo e cidadãos que, ao invés de buscarem ouvir cientistas e pensar de forma razoável, preferem escutar comentaristas de jornais matinais e se informar através de memes no Twitter. Nada pode ser levado a sério, nem mesmo o fim do mundo, e é neste contexto que os protagonistas estão inseridos.

O nada assertivo professor Dr. Randall Mindy (DiCaprio), que inicialmente representa a visão mais clássica do cientista que está tão preso em sua bolha acadêmica que sente dificuldade de passar uma mensagem clara sobre a gravidade do problema, mas que após a exposição midiática acaba se adaptando a um ambiente onde ele está disposto a deixar de lado os princípios básicos do método científico sob a justificativa de que há um bem maior como resultado disso. 

A outra personagem que lidera o longa é a estudante, e primeira a descobrir o cometa, Kate Dibiasky interpretada por Jennifer Lawrence que, devo dizer, parece que não se encaixa muito bem na proposta do filme. Nada contra a atuação, mas a personagem parece não encaixar muito, ela é extremamente sóbria e intensa em um ambiente totalmente fora da caixinha. Embora isso possa ter sido intencional, não sei bem se a performance de Jennifer Lawrence encaixa no contexto, embora sua indignação seja a mais próxima daquela que esperaria de alguém. 

Além deles, contamos com a presença de Meryl Streep como a caricata presidente Orleans, que também não parece encaixar muito, além de ficar exagerada e infantil, e Cate Blanchett, brilhantemente escalada na pele da comentarista estilo "Morning Show" Brie Avantee. De longe, a melhor combinação de atriz e personagem. Falando em presidente neste universo caricato e satírico, talvez alguma coisa na linha de Selina Kyle de Veep cairia melhor. Aliás, pensando bem, ela teria sido perfeita aqui.

De resto, o longa acaba virando um desfile de atores famosos, muitas vezes sem realmente ter um conteúdo para apresentar e acabam desperdiçados, além de ser extremamente repetitivo em alguns seguimentos. O ápice da barrigada é o show com Ariana Grande e os diversos comícios da presidente, cujas cenas também são extremamente repetitivas. 

No mais, a crítica é válida tanto para os telespectadores que não procuram compreender o método científico, bem como aos cientistas que falham ao não conseguir se comunicar com a população no geral, que não é treinada para conhecer o processo de busca por evidências e acaba ficando refém de manchetes sensacionalistas de uma mídia também refém de cliques, políticos mal-intencionados e outros estudiosos extremamente enviesados. 

Acontece que acaba ficando uma crítica rasa, vez que só traduz o que acontece no Twitter e na grande mídia que pode ser resumida em a favor do candidato X ou a favor do candidato Y, enquanto a população no geral é mostrada como um grupo de ovelhas ignorantes. A verdade é que a situação é muito mais complexa que isso. O ser humano é um animal movido pela irracionalidade, primeiro ele crê e depois ele busca pistas para reforçar sua crença. Não se trata de um mau-caratismo, mas de uma característica própria de seu funcionamento, logo, a racionalidade e o ceticismo são contraintuitivos. Ninguém acredita na vertente política esquerda ou direita apenas por uma escolha aleatória, e é nisso que o filme peca em mostrar. Além disso, ele se apresenta como algo novo e atual, mas a verdade é que o ser humano sempre se comportou assim. Não há exatamente uma novidade.

Além disso, esquece-se que ainda que as pessoas no geral passem a concordar com os cientistas, o que é quase impossível uma vez que não existe UMA VERDADE, existem probabilidades e interpretações, não há muito o que indique que as soluções passarão a ser melhores. Afinal, boa parte do poder de "fogo" não está nas mãos de grande parcela da população, está nas mãos de poucos. A maioria sempre foi "refém" de uma minoria que detém o poder. 

Além disso, a direção de Adam McKay não consegue traduzir a grandiosidade de um evento de fim de mundo. Tudo fica extremamente contido a uma realidade americana. Entendo que possa ser uma crítica à essa postura norte-americana  de se colocar como salvadora do mundo, contudo, essa escolha rouba o filme da oportunidade de mostrar a grandiosidade do evento.

De resto, se tratando de uma crítica ácida ao momento atual, o filme passa de ano. Poderia ser mais sutil e enxuto em alguns momentos, mas as piadas apresentadas têm seu valor e algumas até tem o potencial de virar meme (o cara cobrou pelo lanche grátis).


Nota: 6/10.




  

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

VOCÊ JÁ ASSISTIU SUPERSTORE?

    

imagem Prime Video 



    Disponível atualmente na Netflix (seis temporadas) e na Prime Video, Superstore ou Superloja é uma sitcom sobre pessoas que trabalham em uma grande loja de departamento chamada Cloud 9. Não parece ser muito interessante a princípio, confesso que não assisti antes porque achei que a proposta era "forçada". Contudo, após ver que tinha seis temporadas e observar que várias pessoas com gostos parecidos com os meus adoram, decidi dar uma chance e não me arrependo nenhum pouco.

    Trata-se uma sitcom criada por Justin Spitzer e estrelada por America Ferrera (Ugly Betty) e Ben Feldman (Drop Dead Diva), e acompanha o dia a dia de funcionários desta loja. Não só as piadas são ótimas, como as situações e personagens são incrivelmente relacionáveis, consigo me ver naquela loja. Além do mais, os episódios trazem cenas de coisas corriqueiras que acontecem dentro de um supermercado (por mais absurdas que pareçam).

    A sexta temporada chegou recentemente no streaming da Netflix, mas você pode ver outras temporadas também na Prime Video. Não sei até quando os episódios ficarão disponíveis nas plataformas, não perca.


A Roda do Tempo - série boa na Prime Video

     

Amazon Prime Video

    Ah, lá vai mais uma série de fantasia com magos, orcs, elfos, um grande vilão superpoderoso que só pode ser derrotado pela união de forças entre pessoas diferentes e pelo escolhido. Só igual a todas as outras eu pensei. Ainda assim assisti e, para a minha surpresa, consegue te prender e ser boa. As semelhanças com o universo de Tolkien são evidentes, assim como as várias histórias de fantasia medieval que surgiram desde então, a diferença agora é que o grande mago sábio é uma sacerdotisa com segredos e agenda própria, nada muito boazinha. E as protagonistas são em grande maioria mulheres.

   Embora a série traga diversos diálogos expositivos, às vezes forçados e às vezes necessários, trata-se de um universo muito rico e por isso mesmo é interessante dar uma olhada nos conteúdos extras oferecidos pela Amazon, a fim de entender a hierarquia e os povos que existem neste mundo.

    No básico, o que se entende é que os protagonistas vivem em um universo em que o "Sauron", o Dark One, deles surgiu e um grande rompimento entre os povos surgiu. Neste universo as mulheres são, à exceção de um Escolhido e do próprio antagonista, as únicas capazes de manipular elementos naturalmente. Os homens que tentam manipular magia neste universo o fazem através de meios que acabam enlouquecendo-os.

    As mais habilidosas e poderosas se organizaram em irmandades, representadas por diferentes cores, que conduzem a sociedade e cada irmandade tem um objetivo. Essas irmandades são hierarquicamente organizadas em um grupo e as integrantes são chamadas de Aes Sedai. Exceto pelo grupo das vermelhas (guerreiras), as Aes Sedai costumam ter guardiões que são ligados a elas através de um elo mágico. Aos interessados em estudos sociais, cada grupo parece ser uma vertente do feminismo.

    No meio disso tudo, surge uma profecia que alguém na casa dos vinte anos, homem ou mulher, seria capaz de derrotar o grande vilão, o qual seria chamado de O Dragão Renascido. É aí que a personagem de Rosamund Pike, Moiraine, surge para encontrar este escolhido e tentar trazê-lo para seu lado (e alcançar a paz mundial). Nesta jornada ela se depara com cinco jovens habilidosos e precisa descobrir qual deles é o Dragão que pode derrotar o Dark One ou se juntar a ele. Ao mesmo tempo, ela tem que lidar com diversos perigos em seu caminho, como outras pessoas em busca dessa pessoa especial, trollocs (os orcs deles), caminhos perigosos e um grupo de cavaleiros que perseguem essas mulheres, em uma clara alusão à inquisição.

    A série é uma adaptação dos romances do autor americano Robert Jordan, com colaboração de Brandon Sanderson nas obras finais. A princípio achei que seria só mais uma adaptação brega que quis acolher os órfãos de Game of Thrones, mas confesso que a produção me impressionou, a fotografia é bonita, a atuação até que é boa, os movimentos mágicos conseguem transmitir essa ideia de manipulação de elementos através de uma sintonia elegante. 

    No mais, não é uma série perfeita. Os diálogos excessivamente expositivos podem cansar, por outro lado, é difícil introduzir todos os elementos necessários para que o público entenda o universo, então se faz um mal necessário. De qualquer jeito, vale a pena conferir a produção que já está no sétimo episódio, com lançamentos semanais. 


Confira o trailer.



 

    

    


sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

And Just Like That... Sex and the City morreu

 
HBO

 

 E deu lugar para uma série nova composta pelas três protagonistas de Sex and The City e outras três personagens novas, cujos únicos propósitos são servir, a princípio, como um "pedido de desculpas" por todo o politicamente incorreto da série original. Essas novas adições, até o momento não têm histórias próprias, servem unicamente para navegar em torno das protagonistas e mostrar o quanto estas mulheres terão que correr contra o tempo para se atualizar com as novas demandas sociais, contudo, fica apenas cringe. Mas vamos por partes.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

MISSA DA MEIA-NOITE DEMORA PARA ENGRENAR, MAS ATÉ QUE VALE A PENA

Imagem: Netflix


Quando leio o nome de Mike Flanagan na direção ou roteiro de algum filme ou série aperto o play sem dúvidas. Desde Jogo Perigoso, A Maldição da Residência Hill até sua adaptação de Doutor Sono foram poucos os trabalhos que não conseguiram alcançar um bom nível de satisfação por parte da crítica especializada ou público, até agora.

Assim como seus outros trabalhos, decidi apertar o play sem pestanejar. E eis que a coisa demorou para engrenar. Demorei para entender o propósito da série ou sobre o que ela iria abordar. Sabia pelo pôster que envolveria algum elemento de terror com boas doses de existencialismo, dor e drama, bem a cara de Flanagan, mas ainda assim foi difícil conseguir chegar no final do terceiro episódio para enfim entender que se tratava de uma discussão entre ciência, crenças, metafísica e religião utilizando a linguagem do terror, e acredito que este tenha sido um dos maiores desafios para a audiência, resultando em um público decepcionado.

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SPOILERS

Flanagan aproveitou toda sua experiência adquirida no ambiente católico para criar uma história que levanta questões relacionadas a crenças, fanatismo e ciência. O elemento vampiro foi uma oportunidade de trazer o elemento simbólico do sangue, presente no rito religioso e que também conversa com a simbólica da transformação através de ingestão. A série é uma grande alegoria.

Ele aproveitou seus personagens para trazer as diferentes visões sobre o tema. Primeiro Riley, aquele que errou e perdeu a esperança, logo tem uma visão mais cética sobre a existência de um algo além do físico. Padre Paul representa aquele que tem fé e passou por uma grande experiência que reforçou ainda mais suas crenças, Beverly é a fanática, Dra. Sarah apresenta a visão científica da coisa e Erin seria o telespectador navegando por estes mistérios e tentando descobrir o que fazer com isso. Ela conduz o olhar do telespectador a partir do episódio 4. 

Temos aqui uma história de vampiro onde a figura é interpretada pelos fiéis de acordo com suas crenças e suas experiências. No final, Flanagan mantém seus personagens fiéis às suas crenças e usa Erin como porta voz de sua visão sobre o mundo como fonte de espiritualidade no mundo sensível. Honestamente, ficou bonito, mas também um pouco clichê e parecendo a abertura da série documental Cosmos. 

Acredito que tenha sido exatamente isso que acabou decepcionando os telespectadores, que provavelmente esperavam mais ação e talvez, com sorte, pancadas nas visões religiosas ou em quem crê no metafísico. 

Da minha parte, o ruim da série é ser extremamente arrastada e cheia de diálogos. Eu queria mais ação, mas foi esse respeito pelas diferentes visões do mundo que fizeram com que terminasse com uma visão positiva da série. E você, o que achou?









sábado, 25 de setembro de 2021

DEIXE-ME VIVER | WHITE OLEANDER | DICA DE FILME



Recentemente a Prime Video disponibilizou em sua plataforma o longa Deixe-me Viver (White Oleander), drama estadunidense de 2002 com  Alison Lohman, Michelle Pfeiffer, Robin Wright, e Renée Zellweger, baseado no livro de Janet Fitch e com roteiro de Mary Agnes Donoghue.

Nele, acompanhamos uma adolescente, Astrid interpretada por Alison Lohman, passando por vários lares adotivos depois que sua mãe, a renomada artista Ingrid interpretada por Michelle Pfeiffer, após esta ter cometido um crime.

Ingrid (Michelle Pfeiffer) é uma bela artista a qual todos sempre se referem como uma mulher forte e implacável. Já Astrid, a princípio, é uma jovem doce e em busca de aprovação sob a sombra dessa potência. Um dia, a artista começa a se relacionar e descobre que seu namorado a está traindo com outras mulheres mais jovens. É aí que, sem pensar na filha ou nas consequências, Ingrid decide envenená-lo com uma mistura que contém oleandro branco, uma flor bela, porém fatal. Ela vai presa e então Astrid vai parar em uma série de lares adotivos, onde se depara com diferentes figuras maternas.

O grande condutor da história é o relacionamento entre mãe e filha, quais as consequências dele para o relacionamento de Astrid com suas cuidadoras e como ele ajuda a moldar sua visão de mundo. O longa é um bom drama para quem busca analisar relacionamentos entre mães e filhas longe da ideia romântica de mulher cuidadora e acolhedora.

A disponibilidade do longa depende da plataforma e não há previsão por quanto tempo ele permanecerá lá, então sugiro que assista logo caso tenha interesse.


 


terça-feira, 14 de setembro de 2021

O Esquadrão Suicida (2021) na HBO Max | Vale a pena cada minuto

 

Imagem: Warner Bros./ DC


Quando o trailer de Esquadrão Suicida (2016) saiu, as apostas eram altíssimas. Vilões icônicos da DC como protagonistas e fazendo loucuras ao som de Bohemian Rhapsody do Queen. Promissor. O filme se vendeu bem, mas o conteúdo era um desastre. Não souberam construir a história de forma que pudéssemos conhecer os protagonistas, o filme foi todo recortado, não havia nenhum risco real, as piadas não tinham timing, houve falta de entrosamento entre os personagens e raio azul no final. Isso sem falar na vilã com a dancinha e a classificação indicativa que ajudou a limitar todo o potencial vilanesco das personagens.

Eis que surgiu uma nova oportunidade nas mãos de James Gunn, que estava com a agenda aberta após ter sido enxotado do universo Marvel e dos Guardiões da Galáxia. A princípio ele parecia ser o diretor e roteirista ideal, o que se confirmou com o produto final já disponível na HBO Max nas versões em inglês e português.

É quase a mesma história, só que muito bem contada. É uma missão, designada por Amanda Waller, para que eles desativem um laboratório em uma ilha remota que parece estar na América Central. Para isso são convocados Bloodsport, Peacemaker, Capitão Boomerang, Ratcatcher 2, Savant, King Shark, Blackguard, Javelin e Harley Quinn.

Os personagens têm individualidades e suas particularidades têm sentido para a trama, ainda que ela seja narrada de forma aloprada, caótica, rápida e dinâmica. Os elementos se encaixam e você tem aquilo que se espera de um grupo tão diverso. São os desajustados realizando uma missão para os "bonzinhos" que nunca são tão bons assim. Ao mesmo tempo, ainda que seja um filme sobre o grupo de vilões chamado Esquadrão Suicida, você ainda tem personagens que ajudam a conquistar a empatia do telespectador e faz com que ele mergulhe na história e torça por eles. 

O Esquadrão Suicida (2021) é bem fresco e divertido, a cara do James Gunn. Cheio de cenas de ação e violência que combinam com a proposta. É uma boa pedida para um final de semana.

Verifique a classificação indicativa.


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Casamento às Cegas Brasil em outubro

 

imagem: Netflix

Era começo de 2020, essa história de COVID ainda era uma novidade e tinha um programa um pouco diferente na Netflix. A proposta era que homens e mulheres conversassem através de cabines (um não poderia ver o outro) e no final fizessem propostas de casamento.

Demorei para ver. Me deu uma vibe meio Silvio Santos aos domingos, até que um dia não tinha absolutamente nada de interessante na TV ou na Plataforma, sentei com a minha mãe em uma tarde de domingo e mergulhamos no universo de Love is Blind.

A proposta é interessante: RELACIONAMENTOS construídos a partir de conversa, não do visual. Mas venhamos e convenhamos, não tinha ninguém feio ali. 

O programa virou febre, pessoas se casaram de VERDADE e muitas polêmicas surgiram 👉 Damon e Carlton que o diga. Tivemos Jéssica dando vinho para o cachorro, desencontros, brigas, casamentos, alegria e muito amor. Bem tarde de domingo mesmo.

Daí a Pandemia veio com tudo e ficamos fechados durante meses, programas foram pausados e uma continuação desse formato teve que esperar por uma melhora. Eis que 2021 chega na reta final e com isso, o anúncio de que a versão brasileira do programa estreia dia 6 de outubro na plataforma.

Na versão original tivemos o casal Nick e Vanessa Lachey na liderança apagada do programa. Suas presenças só foram lembradas realmente nos reencontros. Agora teremos Klebber Toledo e Camila Queiroz na liderança, pode ser que a produção brasileira tenha aprendido um pouco sobre isso e possa dar mais relevância para estes últimos. Confira o Trailer 

Vai assistir?

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

MATRIX 4 | TRAILER SAIU E NÃO SEI O QUE DIZER

imagem: Warner

Tenho sentimentos mistos com relação ao novo filme na franquia das Wachowski. O primeiro longa fez história e virou referência tanto no quesito efeitos especiais quanto na filosofia por trás. Não é novidade que as irmãs sempre tentam incluir em suas obras histórias baseadas em mitologia e questionamentos sobre a natureza de nossa realidade, mas durante um bom tempo, os produtos que vieram após Matrix falharam em conseguir intrigar realmente o público. Eram resultados de grandes ideias com execução pobre.

Até que elas ressurgiram com Sense 8 na Nerflix. Uma excelente série que questiona relacionamentos e crenças, além de explorar questões humanas em diversos pontos do mundo. Uma pena que não foi possível finalizar a história do jeito que queriam, mas deixou um bom legado.

Com esse sucesso, Matrix voltou aos holofotes junto com a carreira de Keanu Reeves, que foi fortemente impulsionada novamente com os filmes de ação de John Wick. Dessa vez apenas Lana Wachowski segue na liderança do longa que poderá se beneficiar dos avanços tecnológicos.

Conferi o trailer, que pode ser visto aqui:

Junto com seu lançamento, o estúdio lançou um site interativo com trailer e onde você pode escolher qual pílula quer: azul ou vermelha?

Não sei o que dizer. Meu lado receoso acha que o primeiro Matrix é imbatível e os dois que seguiram não conseguiram alcançar a mesma profundidade. Além disso, as personagens principais ficaram para a historia. Até hoje a figura de Morfeu com as pílulas segue firme e forte, ou seja, essas figuram sustentavam o filme. Muito tempo se passou e algumas adições foram feitas. Será que Matrix 4 conseguirá ser relevante? Não sei, mas confesso que estou curiosa para ver.


O longa estreia em dezembro nos cinemas.

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Séries para aquecer o coração

 Maratonando This is Us neste final de semana acabei cedendo a um sentimento de alegria, tristeza e amor que são largamente explorados por esta e muitas outras séries. Pensando nisso, decidi separar algumas séries que irão mexer com o seu coração, arrancar sorrisos, lágrimas e reações como Ohhh, que fofo...


This is Us 


No topo da lista temos essa série sobre uma família. Sinceramente, se você está disposto a encarar algumas lágrimas e lições de vida nem procure sinopse ou trailer, apenas veja. As primeiras temporadas estão disponíveis na plataforma da Amazon Prime Video.


How I Met Your Mother



Embora tenha um final polêmico e algumas barrigadas desnecessárias, HIMYM ainda consegue tirar alguns sorrisos e algumas lágrimas. Embora seja vendida como uma série de comédia com um grupo de amigos, é certo que alguns episódios dramáticos conseguem ser mais profundos do que muita série dramática por aí. Inclusive os episódios The Time Travelers e How Your Mother Met Me  conseguiram arrancar todas as lágrimas possíveis e gerar uma série de reflexões sobre a vida, o amor e timing. A série pode ser vista na Prime Video atualmente.

Vocês não podem se apegar ao passado, porque não importa o quão forte você segure, ele já foi.

Good Witch



Disponível na Netflix temos aquela série típica de Hallmark Channel, em uma cidade pequena e feliz temos a história de uma mulher e sua filha que têm uma relação especial com a intuição. Quando a temporada acaba você tem que ir ao dentista de tanto doces e sorrisos, lições valiosas sobre a vida e como ser uma pessoa boa.

Modern Family



Uma série já conhecida, que aliás chegou em sua 11ª temporada com cansaço, mas ainda assim aquece o coração. Como o título fala, temos uma série que acompanha vários núcleos familiares modernos em situações da vida. 

New Girl


Seguindo na linha das séries com amigos, esta aqui não foca tanto em lições de vida, mas em situações cômicas. Ainda assim não deixa de ser adorkable!
Acompanhamos a estranha e otimista Jes, que vai morar com três homens solteiros, Nick que é um fracassado, Schmidt que é obcecado por sua posição social e Winston, um atleta.

Tem alguma dica de série? Deixe nos comentários.

Crítica | O Rei

 


O Rei poderia se chamar O Príncipe (Maquiavel). O novo filme da Netflix do diretor David Michôd e de Joel Edgerton é inspirado nas obras de Shakespeare: Henry IV, Parts 1 & 2 and Henry V, e conta com Thimotée Chalamet como Henrique V, um jovem festeiro e descompromissado que assume o trono da Inglaterra em 1413. 

O que se vê no longa é o amadurecimento de um jovem que até então se preocupava com festas, mulheres e bebidas e de repente se vê responsável por um reino que está em uma situação política complicada com a França. Após a morte de seu pai, o severo e intimidador Henrique IV (Ben Mendelsohn),  o jovem rei deve então assumir a coroa com o peso da responsabilidade de liderar a nação, bem como precisa aprender a lidar com a política interna e externa. No meio de tudo isso um conflito com a França parece iminente e medidas devem ser tomadas, momento em que o círculo íntimo do jovem é testado.

Embora seja uma história com um recorte de um período histórico real, o foco da trama descansa sobre o amadurecimento, no reconhecimento da mudança e das decisões, e tudo isso feito de forma bem construída e atuada. Chalamet ( Me Chame Pelo Seu Nome) convence como o jovem Rei e é em sua atuação que boa parte do filme é focada.

No restante o filme impressiona na fotografia de  Adam Arkapaw, que consegue trazer a sensação de lama, frio e combate. Quanto as reproduções de batalhas, para um filme distribuído por um streaming, em nada perde para bons filmes com a mesma temática, inclusive em alguns momentos parece ter aprendido alguma coisa com A Batalha dos Bastardos.

 O filme teve seu lançamento no Venice Film Festival no dia 2 de setembro de 2019.

Review | The Man in The High Castle 4 temporada

  

Disponível na Prime Video, serviço de streaming da Amazon, The Man in The High Castle é uma das séries mais injustiçadas dos últimos anos.

Trata-se de uma pérola narrativa que não chegou ao grande público e que chega ao fim na quarta temporada.

A série acompanha a história de Juliana Crane, uma moça que vive nos Estados Unidos de uma realidade alternativa a nossa onde a Alemanha e o Japão venceram a segunda guerra mundial, e agora dominam os EUA, e que de repente se vê envolvida com um grupo de resistência.

Passadas três temporadas entre altos e baixos, a série se encerra no momento certo com algumas pontas soltas, alguns personagens fazendo falta (Ed, o que aconteceu com você?) e um show de atuações.

Embora Juliana Crane (Alexa Davalos) seja a protagonista, essa última temporada teve como foco os dois lados antagônicos do totalitarismo: John Smith (Rufus Swell) e Inspetor Kido (Joel de la Fuente), o filho favorito dos roteiristas e do recurso deus ex Machina.

A ideia de termos mundos paralelos não serve apenas como um recurso sci-fi, mas serve como ponto de partida para um exercício ético psicológico sobre escolhas e determinismo, em especial para o núcleo de John. O recurso fora usado na medida certa, evitando o ar fantasioso, embora a oportunidade narrativa entre Juliana, Thomas e John tenha sido desperdiçada.

Os dois primeiros episódios acabaram arrastados e não souberam aproveitar a abertura do portal na temporada anterior. O núcleo de Juliana acabou ficando perdido e mais alongado do que deveria, cabendo ao restante da série dar passos que poderiam ocorrer ainda que não houvesse um universo paralelo.

O foco da história ficou por conta dos antagonistas em uma luta interna por poder e sobrevivência, ao mesmo tempo que estão questionando suas decisões e a que ponto chegaram. Nesse sentido a escolha foi acertada em dar mais foco a esses personagens, que foram capazes de apresentar uma série de camadas e soube explorar bem a extensão da atuação de Sewell e de la Fuente.

Alexa Davalos acaba ficando esquecida e sua trama parece paralela a história como um todo, aliás, se houvessem alguns ajustes de roteiro sua presença não seria tão necessária assim.

A presença de um grupo de resistência diferente do que já foi apresentado nas temporadas anteriores justificou algumas coisas, mas pareceu inserido tardiamente como uma forma de lembrar a existência de um grupo negligenciado anteriormente. Palmas pelo protagonismo, porém este chegou tardiamente.

O final deixou um gosto agridoce e algumas pontas soltas, e por isso deixei comentários em vídeo com spoilers, confira.



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